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Rússia diz que sanções a Myanmar provocariam um conflito em grande escala no país

Protestos contra o golpe militar de 1 de fevereiro em Myanmar

Stringer .

A China também rejeitou qualquer ideia de punir os militares birmaneses que derrubaram e detiveram a líder civil e de facto do país, Aung San Suu Kyi.

A Rússia rejeitou hoje qualquer ideia de sanções contra a junta militar em Myanmar, considerando-as desnecessárias e capazes de causar um "conflito civil em grande escala" no país, num cenário de repressão sangrenta.

"No contexto da situação atual em Myanmar, o movimento em direção a ameaças e pressões, incluindo o uso de sanções contra as autoridades atuais, é fútil e extremamente perigoso", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, citado pela agência de notícias Interfax.

"Estas medidas coercivas arbitrárias são contraproducentes e têm um efeito desestabilizador no sistema de relações internacionais", segundo o Ministério russo.

O Governo russo acredita que as sanções "empurrariam o povo birmanês para um conflito civil em grande escala", referindo ainda a sua intenção de continuar, por enquanto, a cooperação militar com a junta militar.

"Somos guiados pela tarefa de garantir a continuidade da cooperação multifacetada russo-birmanesa, inclusive ao nível militar", declarou o Ministério, sublinhando que está a "acompanhar de perto, analisando os eventos atuais" e levará isso "em consideração" na sua futura cooperação.

A China também rejeitou, na semana passada, qualquer ideia de punir os militares birmaneses que derrubaram e detiveram a líder civil e de facto do país, Aung San Suu Kyi.

Pelo menos 560 civis foram mortos pelas forças de segurança birmanesas desde o golpe militar de 01 de fevereiro, mas o número de vítimas pode ser muito maior.

Inúmeros políticos, ativistas e manifestantes também foram detidos a mando da junta militar.

Se o Kremlin expressou preocupação com o crescente número de vítimas civis no final de março, a Rússia despachou, ao mesmo tempo, um vice-ministro da Defesa russo para Myanmar, país descrito nesta ocasião como um "aliado confiável" com quem Moscovo deseja "aprofundar" a cooperação militar.