Mundo

Navalny está em "grave perigo" e deve ser enviado para o estrangeiro para "tratamento médico urgente"

Maxim Shemetov

O opositor russo está em greve de fome há três semanas.

O opositor russo Alexey Navalny, detido e em greve de fome há três semanas, está em "grave perigo" e deve ser enviado para o estrangeiro, exigiram esta quarta-feira quatro peritos dos direitos humanos mandatados pela ONU.

"Pedimos insistentemente às autoridades russas que permitam o acesso de Navalny aos seus próprios médicos e a sua saída para o estrangeiro para um tratamento médico urgente, como fizeram em agosto de 2020. Reafirmamos que o Governo russo é responsável pela vida e saúde de Navalny durante a sua detenção", indicam em comunicado.

Do alegado envenenamento do Kremlin à colónia penal

Alexei Navalny, o principal opositor de Putin, foi preso em janeiro ao regressar da Alemanha, onde esteve cinco meses em recuperação após um alegado envenenamento, atribuído ao Kremlin, por um agente neurotóxico, acusações que as autoridades russas rejeitaram.

A prisão de Navalny desencadeou uma onda de protestos em toda a Rússia, na maior demonstração de desafio ao Kremlin dos últimos anos.

Após a prisão, um tribunal condenou Navalny a dois anos e meio de prisão por um caso de corrupção ocorrido em 2014 e que os seus apoiantes denunciaram como politicamente motivado, enquanto o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos considerou a sentença "arbitrária e manifestamente irracional".

Em março, o político foi transferido para uma colónia penal a leste de Moscovo, conhecida pelas suas duras condições de detenção.