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Centenas de feridos em novos confrontos entre polícia israelita e manifestantes palestinianos em Jerusalém

Ammar Awad

Confrontos duram desde sexta-feira e só esta segunda-feira já provocaram pelo menos 215 feridos.

Há quatro dias consecutivos que os confrontos em Jerusalém provocam centenas de feridos. Esta segunda-feira de manhã, o palco foi o Monte do Templo, um dos lugares mais sagrados para os judeus.

A polícia israelita lançou gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento e os manifestantes palestinianos responderam com pedras e outros objetos.

Centenas de palestinianos ficaram feridos e foram levados de ambulância do local, avança a AFP.

"Há centenas de feridos nos confrontos", disse o Crescente Vermelho em declarações aos jornalistas.

De acordo com o serviço de emergência do Crescente Vermelho, o último balanço aponta para pelo menos 215 feridos, dos quais cerca de 150 tiveram de ser levados para hospitais locais ou transferidas para hospitais de campanha da entidade noutras cidades. Entre os feridos, quatro deles estão em estado grave.

Através de um comunicado, a polícia informou também que está a trabalhar para tentar conter a violência no Monte do Templo, mas também "em outros locais da Cidade Velha de Jerusalém".

"As orações continuam como de costume" no Muro das Lamentações, que fica ao lado do Monte do Templo, mas "não permitiremos que extremistas ameacem a segurança do público", acrescentou a polícia.

Esta segunda-feira é um dia especialmente tenso devido à comemoração do Dia de Jerusalém, em que os israelitas celebram o que consideram a reunificação da cidade em 1967, mas que para os palestinianos corresponde ao início da ocupação.

Para a tarde desta segunda-feira está programada uma grande marcha pela Cidade Velha - na parte oriental ocupada da cidade - por ultranacionalistas judeus, o que pode exacerbar as tensões. Para conter a situação, segundo alguns meios de comunicação locais, a polícia israelita vetou o acesso de judeus à Esplanada das Mesquitas. De acordo com o jornal Haaretz, a polícia barrou até agora cerca de 150 pessoas, embora isso não tenha evitado a tensão.

Os conflitos dos últimos dias já levaram o primeiro-ministro israelita a dizer que não vai tolerar a violência. Na origem dos protestos está uma ordem de despejo a quatro famílias de um bairro em Jerusalém Oriental, numa área da cidade ocupada e anexada por Israel - em favor de colonos israelitas. A decisão sobre a expulsão estava marcada para este domingo, mas o Supremo Tribunal de Israel adiou a audiência.

Os quatro membros do Quarteto do Médio Oriente (ONU, UE, Estados Unidos e Rússia) manifestaram, no sábado, "profunda preocupação" perante os violentos confrontos em Jerusalém e pediu contenção às autoridades israelitas.

Também a Arábia Saudita, o Irão, a Tunísia, o Paquistão, a Turquia, a Jordânia e o Egito condenaram a atuação israelita. Perante esta escalada da violência, o Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se esta segunda-feira, a pedido da Tunísia.

O Papa Francisco apelou este domingo ao fim da violência em Jerusalém: "A violência só gera violência. Vamos acabar com esses confrontos". Apelou ainda a todas as partes para que seja respeitada "a identidade multirreligiosa e multicultural da cidade santa e a fraternidade possa prevalecer".

Os confrontos das últimas noites entre a polícia israelita e palestinianos na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, são já considerados os maiores desde 2017, quando Israel decidiu colocar detetores de metais na entrada do local, para depois desistir da ideia.

Israel ataca alvos do Hamas em Gaza

Israel atacou na noite de domingo alvos do grupo islâmico Hamas em Gaza, após o lançamento de foguetes e balões incendiários a partir do enclave, anunciou hoje o exército.

Ao amanhecer, tanques israelitas "atacaram postos militares" do Hamas no sul da faixa de Gaza, em resposta ao lançamento de dois foguetes e de balões incendiários contra Israel, disse o exército em comunicado.

Pouco depois, os alarmes de raides aéreos voltaram a soar nas cidades israelitas próximas do enclave, devido ao lançamento de mais três foguetes. Um dos projéteis "foi provavelmente intercetado" pelo sistema antimíssil "Iron Dome" (Cúpula de Ferro), disse um porta-voz militar em comunicado.

Os ataques a partir de Gaza levaram esta segunda-feira ao encerramento da passagem de Erez, informou o COGAT, organismo militar israelita que gere os assuntos civis em território palestiniano. A passagem foi encerrada "imediatamente e até novo aviso", e só pode ser utilizada "em casos humanitários e excecionais", disse a agência em comunicado.

A tensão agravou-se nos últimos dias em Jerusalém e na região, após o aumento de confrontos entre palestinianos e a polícia israelita na Cidade Santa.

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