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Pelo menos 15 pessoas morreram em ataques israelitas a 130 alvos do Hamas

Suhaib Salem

As autoridades israelitas dispararam dezenas de foguetes alegadamente em retaliação contra a mesma ação levada a cabo pelo movimento islâmico Hamas, que governa na Faixa de Gaza.

A tensão em Israel voltou a crescer na noite de segunda-feira.

Várias salvas de foquetes foram lançadas ao início da noite de segunda-feira a partir da Faixa de Gaza em direção a Israel, ao mesmo tempo que soaram as sirenes de alarme em Jerusalém, noticiou a AFP. Momentos antes, o movimento islâmico Hamas ameaçara Israel com uma nova escalada militar se as forças israelitas não abandonassem a Esplanada das Mesquitas e o bairro de Seikh Jarrah, ambas em Jerusalém Oriental, até às 18:00 locais.

Minutos depois de terminar o prazo do ultimato, o grupo, que os EUA e a União Europeia consideram uma organização terrorista, lançou pelo menos sete rockets a partir da Faixa de Gaza em direção a Israel.

Rockets lançados em direção a Israel a partir da Faixa de Gaza.

Rockets lançados em direção a Israel a partir da Faixa de Gaza.

Mohammed Salem

O Exército israelita anunciou na segunda-feira "ter começado" a realizar uma série de ataques contra posições do Hamas na Faixa de Gaza, visando em particular um comandante do movimento islâmico armado Hamas, que foi morto. Já esta terça-feira confirmou que conduziu 130 ataques contra alvos militares do Hamas na Faixa de Gaza, durante a madrugada, em resposta ao lançamento de foguetes, matando 15 membros de grupos armados palestinianos.

"Atingimos 130 alvos militares que pertencem principalmente ao Hamas", informou o porta-voz do exército Jonathan Conricus. "De acordo com as nossas estimativas atuais, matámos 15 membros do Hamas e da Jihad islâmica", acrescentou. "Estamos na fase inicial da nossa resposta contra alvos militares em Gaza", disse Conricus. "Estamos preparados para uma escalada", sublinhou.

O porta-voz considerou que os foguetes lançados a partir da Faixa de Gaza constituem "uma agressão grave contra Israel": "Não podemos deixar de responder", acrescentou.

De acordo com a última contagem do exército israelita, 200 foguetes foram disparados de Gaza desde segunda-feira, tendo mais de 90% sido intercetados pelo escudo antimíssil "Cúpula de Ferro" ("Iron Dome").

As autoridades locais em Gaza dão conta de pelo menos 24 mortos, incluindo nove crianças, nos ataques israelitas, o maior número desde novembro de 2019.

Os novos ataques surgem num clima de escalada de violência em Jerusalém Oriental, o setor palestiniano da cidade ilegalmente ocupado e anexado por Israel ao abrigo do direito internacional.

Na segunda-feira, cerca de 520 palestinianos e 32 polícias israelitas ficaram feridos em novos confrontos com a polícia na Esplanada das Mesquitas, o terceiro local mais sagrado do Islão e o local mais sagrado do Judaísmo, além de noutros locais em Jerusalém Oriental.

Os confrontos coincidiram com o "Dia de Jerusalém", marcando a conquista, de acordo com o calendário hebraico, da parte palestiniana da Cidade Santa por Israel em 1967.

Para discutir a situação em Jerusalém, o Conselho da Liga Árabe reúne-se esta terça-feira de emergência. A União Europeia já pediu o fim da violência, considerando os ataques inaceitáveis. Opinião partilhada pelos Estados Unidos, que pedem contenção a todos os envolvidos, apesar de reconhecerem o direito de Israel se defender.

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