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Médio Oriente. Conselho de Segurança da ONU termina sem acordo

JASON SZENES

A sessão, que decorreu de forma virtual, resultou em ataques recíprocos entre palestinianos e israelitas.

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) reuniu-se este domingo, na terceira reunião de emergência sobre o atual conflito entre israelitas e palestinianos, mas continua sem conseguir uma declaração conjunta, avançou a agência France-Presse.

O ministro dos Negócios Estrangeiros palestiniano, Riyad Al-Maliki, acusou Israel de "crimes de guerra", denunciando a "agressão" do Estado judeu contra "o povo palestiniano e os seus lugares sagrados".

"O Hamas optou por acelerar as tensões, usadas como pretexto para iniciar esta guerra, que foi premeditada", replicou o embaixador de Israel nos Estados Unidos da América e na ONU, Gilad Erdan.

O diplomata israelita pediu ao Conselho de Segurança que condene o "lançamento indiscriminado de foguetes", enquanto o ministro palestiniano solicitou autoridade para "agir" para impedir a ofensiva israelita, perguntando quantas mortes palestinianas são necessárias para serem tidas como "escândalo".

Paralelamente ao encontro, os 15 membros do Conselho de Segurança continuaram as negociações sobre um texto comum que visa pedir o fim das hostilidades e reafirmar uma solução para dois Estados vivendo lado a lado, nomeadamente Israel e Palestina, com base nas resoluções já adotadas pela ONU.

Mas, de acordo com vários diplomatas ouvidos pela AFP, os Estados Unidos, numa posição considerada incompreensível para muitos dos seus aliados, continuam a recusar qualquer declaração conjunta.

Numa semana, Washington, isolado, já rejeitou dois textos propostos por três membros do Conselho: Noruega, Tunísia e China.

ONU preocupada com mortes de civis e crianças

Na reunião de emergência do conselho de segurança das Nações Unidas, convocada por causa da situação no Médio Oriente, o secretário-geral, António Guterres, lamentou a perpetuação do ciclo de violência.

Numa mensagem, Guterres lembrou as resoluções da ONU que procuram um entendimento para que os dois estados, israelita e palestiniano, convivam de forma pacífica.

A União europeia vai discutir o tema num encontro de ministros dos Negócios Estrangeiros na próxima terça-feira. Josep Borel, o alto representante da UE para a diplomacia, quer coordenar e discutir a melhor forma de acabar coma violência atual no Médio Oriente.

Washington é outro mediador do conflito. Os manifestantes pró-palestina na capital norte-americana pedem que não haja dois pesos e duas medidas.

Guerra já matou 181 pessoas, 52 delas crianças

Ao sétimo dia, a guerra entre Israel e o Hamas já matou 181 pessoas, incuindo 52 crianças. 10 dos mortos são israelitas, os restantes são palestinianos, da Faixa de Gaza.

Este domingo aconteceu o ataque isolado mais sangrento deste conflito: morreram 33 palestinianos, incluindo 13 crianças.

O primeiro-ministro israelita avisou que os combates só terminarão quando forem derrotados todos os alvos estratégicos do Hamas. O exército israelita destruiu a casa de um dos lideres do Hamas, Yahiyeh Sinwar, que escapou porque estava fora.

O reacender do conflito começou em 10 de maio, após semanas de tensão entre israelitas e palestinianos em Jerusalém Oriental, que culminaram com confrontos na Esplanada das Mesquitas, o terceiro lugar sagrado do islão, junto ao local mais sagrado do judaísmo.

Ao lançamento maciço de foguetes por grupos armados em Gaza em direção a Israel opõe-se o bombardeamento sistemático por forças israelitas contra a Faixa de Gaza.