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Ministro da Defesa de Israel nos EUA para falar sobre acordo nuclear iraniano

ATEF SAFADI

Estados Unidos continuam a ser "o aliado mais importante de Israel", diz Benny Gantz.

O ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, chega esta quarta-feira aos Estados Unidos para, numa "visita relâmpago", analisar a retoma das negociações internacionais sobre a energia nuclear iraniana, iniciadas por Washington, indica um comunicado oficial israelita.

As grandes potências têm-se reunido desde o início de abril em Viena para ressuscitar o acordo internacional de 2015 que visa impedir que o Irão adquira a bomba atómica.

No comunicado, que adianta que a visita tem a duração de um só dia, é indicado que Gantz vai encontrar-se em Washington com o seu homólogo norte-americano, Lloyd Austin, com o secretário de Estado, Antony Blinken, e com o conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, com quem discutirá o "diálogo estratégico sobre o acordo nuclear com os Estados Unidos com o Irão.

O Presidente norte-americano, Joe Biden, quer voltar a este acordo de 2015, que enquadra o programa nuclear iraniano, abandonado em 2018 pela anterior administração dos Estados Unidos, liderada por Donald Trump, que reimpôs sanções económicas ao Irão.

Como retaliação, o Irão abandonou também alguns dos compromissos garantidos no acordo.

Em Viena, a administração Biden iniciou negociações indiretas com responsáveis iranianos para determinar quais as sanções que Washington pode suspender em troca de um regresso de Teerão aos termos previstos no texto de 2015.

No entanto, o Estado hebraico opõe-se fortemente ao acordo que, segundo argumenta, poderá permitir ao Irão desenvolver as armas nucleares e ameaçar a "existência" de Israel, país considerado a primeira potência militar e a única nuclear da região.

Terça-feira, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, reiterou que Israel não hesitaria em arriscar um conflito diplomático com o seu aliado mais próximo se o acordo avançar.

"Se tivermos de escolher - e espero que não aconteça - entre um atrito com o nosso grande amigo, os Estados Unidos, e a eliminação de uma ameaça existencial, prevalecerá a eliminação de uma ameaça existencial", afirmou durante a tomada de posse do novo líder da Mossad, os serviços secretos israelitas.

No entanto, o próprio Gantz assegurou que se o Irão é uma "ameaça à segurança regional e à paz mundial", os Estados Unidos continuam a ser "o aliado mais importante de Israel".

"Mesmo que surjam diferenças, serão resolvidas por meio do diálogo direto, à porta fechada, e não com declarações provocatórias que só podem prejudicar a segurança israelita", afirmou Gantz, num comunicado.

Durante a visita, será também analisado o acordo de ajuda militar dos Estados Unidos a Israel, bem como a estabilidade no Oriente Médio, em geral, e a consolidação do cessar-fogo concluído entre o movimento islâmico palestiniano Hamas e Israel em 21 de maio passado, em particular.