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Polícia israelita detém palestiniana envolvida em protestos contra despejos

Raneen Sawafta

Mulher foi detida por "suspeita de participar em motins".

A polícia israelita deteve hoje uma jovem ativista palestiniana que se destacou nos protestos contra despejos num bairro de Jerusalém Oriental, para ali alojar colonos judeus, por "suspeita de participar em motins".

Segundo a agência de notícias espanhola EFE, Muna Al Kurd, de 23 anos, que conta com mais de 22 mil seguidores na rede social Instagram, na qual denunciou a situação das famílias que receberam ordem de despejo, entre as quais a sua, é uma das principais participantes nas manifestações que têm sido feitas no bairro de Shaykh Yarrah.

Aquele bairro tem sido um dos focos de tensão entre os palestinianos e as forças israelitas em Jerusalém.

Nas redes sociais e nos meios de comunicação estão a circular imagens do momento em que a jovem foi detida quando estava em casa.

A EFE refere que também o irmão da jovem está a braços com um mandado de detenção, mas que no momento em que a polícia entrou na casa da família ele não se encontrava lá.

A ativista foi levada para uma esquadra de polícia para uma "investigação mais aprofundada", segundo fonte policial ciada pela EFE.

A prisão de Al Kurd aconteceu horas depois da prisão de um jornalista da televisão Al Jazeera, do Qatar, enquanto cobria um protesto no bairro da ativista.

As casas em disputa são habitadas principalmente por refugiados palestinianos e seus descendentes ao abrigo de um acordo de longa data entre a agência das Nações Unidas para os refugiados (UNRWA) e a Jordânia, que administrou a área até ao início da ocupação israelita de Jerusalém Oriental e da Cisjordânia em 1967.

O possível despejo das famílias, sobre o qual se aguarda que Supremo Tribunal israelita emita uma decisão final, foi um dos desencadeadores do último pico de tensão em Jerusalém e na região e uma das causas da forte escalada de guerra entre Israel e as milícias palestinianas em Gaza em maio.

Várias famílias palestinianas estão também em risco de serem despejadas em Silwan, um bairro palestiniano perto da Cidade Velha de Jerusalém, onde na sexta-feira houve um protesto que resultou 23 pessoas feridos.