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Antílope saiga em vias de extinção está de volta às estepes do Cazaquistão

Antílope saiga no Cazaquistão

Pavel Mikheyev / Reuters

A população destes animais "duplicou milagrosamente" desde 2019.

A população de uma rara espécie de antílope mais que duplicou desde 2019, uma notável reviravolta no destino deste animal. Uma vistoria aérea mostrou que número de antílopes saiga no coração do Cazaquistão aumentou de 334 mil para 842 mil em dois anos.

Havia receios de que o animal estivesse à beira da extinção. No final do século XX, a União Internacional para a Conservação da Natureza classificou o antílope saiga como "criticamente em perigo", segundo o WWF. De 2 milhões de indivíduos na década de 1950, principalmente no Cazaquistão, mas também na Mongólia e na Rússia, passou para apenas 50 mil no perto do ano 2000.

Em 2015, uma bactéria reduziu quase totalmente a esperança da recuperação desta espécie, quando morreram 200 mil animais.

Graças a uma série de medidas de conservação, incluindo a proibição governamental da caça furtiva e trabalhos de conservação locais e internacionais, os números começaram a recuperar.

A juntar à resiliência natural das espécies, traz esperança para o seu futuro, confirmou à BBC Albert Salemgareyev, da Associação para a Conservação da Biodiversidade do Cazaquistão (ACBK).

Os antílopes "dão à luz gémeos todos os anos, o que confere um alto potencial para a espécie se recuperar rapidamente", explicou.

O antílope saiga (que significa antílope em russo), reconhecível por seus chifres retorcidos e focinho longo e arredondado, é uma das poucas criaturas vivas que correu entre os neandertais e que sobreviveu hoje.

“A saiga dá-nos uma grande lição de resiliência e deu uma reviravolta ao triste prognóstico que a condenava ao desaparecimento”, diz o WWF.

Mas é preciso cuidado e atenção para não se declarar vitória muito cedo. O habitat natural também permanece ameaçado pelo homem e pela sua atividade, o que impede que a população destes antílopes aumente a níves de há algumas décadas.

O antílope Saiga também não está imune a uma nova epizootia [doença que ataca ao mesmo tempo muitos animais da mesma região], como a que aconteceu em 2015, e está também à mercê de caçadores ilegais.

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