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George W. Bush critica retirada das tropas da NATO do Afeganistão

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Considera que é um "erro" que provocará mais sofrimento às "mulheres e raparigas afegãs".

O antigo Presidente dos Estados Unidos George W. Bush criticou hoje a retirada das tropas da NATO do Afeganistão, um "erro" que provocará, segundo o ex-chefe de Estados, mais sofrimento às "mulheres e raparigas afegãs".

"Mulheres e raparigas afegãs sofrerão danos indescritíveis. É um erro", advertiu George W. Bush, que enviou tropas norte-americanas para o Afeganistão no outono de 2001, após os ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos, em declarações ao jornal alemão Deutsche Welle.

"Elas serão deixadas para trás para serem massacradas por pessoas muito brutais e isso parte o meu coração", lamentou o ex-Presidente republicano, numa entrevista concedida por ocasião da visita da chanceler alemã, Angela Merkel, a Washington.

Bush também disse pensar que a chanceler alemã "sente a mesma coisa que ele". O ex-Presidente prestou uma homenagem à "classe e dignidade" de Merkel, que deixará o cargo no outono, após 16 anos como líder do governo da Alemanha.

A chanceler alemã irá encontrar-se com o Presidente norte-americano, o democrata Joe Biden, na Casa Branca na quinta-feira.

O chefe das forças militares dos Estados Unidos e da NATO no Afeganistão, general Austin Scott Miller, deixou esta segunda-feira as funções, no quadro da retirada definitiva das tropas estrangeiras do território afegão, onde os talibãs continuam a conquistar terreno.

Numa cerimónia em Cabul, Miller, que comandava as forças da coligação no país desde setembro de 2018, passou a chefia ao general Kenneth McKenzie, chefe do Comando Central do Exército (CenCom) norte-americano, com sede na Florida (sudeste) e responsável pelas atividades militares dos Estados Unidos em 20 países do Médio Oriente e da Ásia central e do sul, entre eles o Afeganistão.

Com a passagem das funções de comando, em que os Estados Unidos dão mais um passo para por fim a 20 anos no Afeganistão, McKenzie assume a responsabilidade de poder autorizar e liderar eventuais ataques aéreos para defender o regime de Cabul, pelo menos até à retirada total das tropas norte-americanas do país, prevista para 31 de agosto.

Cerca de 2.500 soldados norte-americanos - e 7.000 de outros países - estavam presentes no Afeganistão quando foi iniciada a sua retirada no início de maio.

A coligação liderada pelos Estados Unidos entrou no Afeganistão em outubro de 2001, na sequência dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Segundo o Pentágono, 90% das tropas e equipamentos norte-americanos já deixaram o país.

Algumas centenas de militares norte-americanos permanecerão no Afeganistão para defender a embaixada dos Estados Unidos em Cabul.

Em 08 de julho, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, declarou que a maioria das tropas britânicas que ainda estavam no Afeganistão, ou seja, 750 soldados designados para apoiar o treino de militares afegãos, já deixou o país.

Os talibãs lançaram uma grande ofensiva no Afeganistão a partir de 01 de maio e vem conquistando terreno, desde que os Estados Unidos e a NATO iniciaram o processo de retirada das tropas.

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