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Olivier Savignac: o caso de um dos mais de 300 mil jovens abusados por elementos do clero em França

Uma investigação sobre os abusos na Igreja em França revela ter havido "entre 2.900 e 3.200 criminosos pedófilos" durantes os últimos 70 anos.

A pedófilia na igreja francesa tem uma dimensão aterradora. Uma investigação apurou que mais de 300 mil crianças foram abusadas sexualmente por elementos do clero desde 1950.

Olivier Savignac, hoje presidente da associação de vítimas, foi abusado aos 13 anos num campo de férias. O abusador era um padre, que foi denunciado.

"Para mim este padre era uma pessoa bondosa e atenciosa que nunca me faria mal. Mas quando dei por mim na cama dele seminu, com ele quase a tocar-me, percebi que havia algo de errado", recorda Olivier Savignac.

Há centenas de milhares de crianças com histórias semelhantes desde 1950 que chegam agora a público. As conclusões são de um relatório
com mais de 2.000 páginas da Comissão Independente sobre os Abusos da Igreja.

De acordo com o relatório, cerca de 216 mil crianças ou adolescentes foram abusados ou agredidos sexualmente por clérigos católicos ou religiosos em França entre 1950 e 2020.

O número de vítimas sobe para 330.000 quando considerados "agressores leigos que trabalham em instituições da Igreja Católica", nomeadamente nas capelanias, professores nas escolas católicas ou em movimentos juvenis, disse o presidente da Comissão Independente sobre os Abusos da Igreja (Ciase), Jean-Marc Sauvé, durante a apresentação do relatório à imprensa.

O episcopado francês expressou esta terça-feira "vergonha" e pediu "perdão" às vítimas de crimes de pedofilia, após a divulgação de um relatório que revela que mais de 300 mil menores foram abusados pela Igreja Católica francesa durante 70 anos.

"O meu desejo neste dia é pedir o vosso perdão, o perdão de cada um de vós", disse o bispo Eric de Moulins-Beaufort, presidente da Conferência Episcopal Francesa.

Também o Papa Francisco já manifestou a sua "profunda tristeza" após a publicação de um relatório sobre abusos sexuais de crianças e outros menores pela Igreja Católica francesa, dizendo que "tomou conhecimento desta terrível realidade".

"O pensamento do Papa dirige-se em primeiro lugar às vítimas, com imensa dor pelas feridas e gratidão pela coragem de denunciar. Dirige-se também à Igreja da França, para que, ao tomarem consciência desta terrível realidade (...) possa empreender o caminho da redenção", declarou o porta-voz do Vaticano, Matteo Brun aos jornalistas acerca da reação do papa ao relatório.