Mundo

Antigo secretário de Estado dos EUA Colin Powell morreu de covid-19

Setembro de 2001.

Hillery Smith Garrison

Tinha 84 anos.

Colin Powell, antigo secretário de Estado norte-americano, morreu devido a complicações associadas à covid-19 aos 84 anos, anunciou a família nas redes sociais.

"O general Colin L. Powell, ex-secretário de Estado dos EUA e presidente da Junta de Chefes de Estado-Maior, faleceu esta manhã devido a complicações da covid-19. Tinha a vacinação completa. (...) Perdemos um marido, pai, avô notável e amoroso e um grande americano".

Armas de destruição maciça no Iraque: uma "mancha" no currículo

Powell foi o primeiro afro-americano a ocupar o cargo de chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, antes de se tornar o chefe da diplomacia americana sob a presidência republicana de George W. Bush.

Partidário da guerra com o Iraque, a 5 de fevereiro de 2003, Powell fez perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, um longo discurso sobre as armas de destruição maciça que o Iraque supostamente detinha. Foram os argumentos que serviram para justificar a invasão do Iraque em 2003..

As armas nunca foram encontradas.

Mais tarde, Powell admitiu que esse discurso era uma "mancha" na sua reputação:

"É uma mancha porque fui eu que fiz essa apresentação em nome dos Estados Unidos para o mundo e assim fará sempre parte do meu histórico."

Da geologia à carreira militar

Nascido a 5 de abril de 1937 no Harlem, Colin Powell cresceu na cidade de Nova Iorque, onde estudou geologia.

Começou a carreira militar em 1958. Inicialmente estacionado na Alemanha, foi enviado para o Vietname como conselheiro militar de John F. Kennedy.

Em 1989, Powell foi o estratega da invasão militar norte-americana do Panamá, para derrubar o ditador Manuel Noriega, cujo sucesso lhe valeu a atribuição da responsabilidade da operação Tempestade no Deserto, durante a primeira Guerra do Golfo (1990-91).

Powell retirou-se da carreira militar em 1993, mantendo a sua atividade nessa área limitada a dar conferências e a escrever livros, tendo sido por várias vezes apontado como um possível candidato do Partido Republicano, apesar da sua condição de independente.

Da ala moderada dentro dos republicanos, Colin Powell acabaria por se distanciar do seu partido e apoiar a candidatura do democrata Barack Obama em 2008, que se tornaria o primeiro Presidente negro dos Estados Unidos.

Em 2020 anunciou que votaria em Joe Biden, denunciando as "mentiras" de Donald Trump, depois de já ter votado em Hillary Clinton na eleição anterior.