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Inflação: Reino Unido enfrenta pior onda de greves em 30 anos

Inflação: Reino Unido enfrenta pior onda de greves em 30 anos
CARLOS JASSO
Até sábado, milhares de trabalhadores ferroviários faltarão ao trabalho, com o apoio dos maiores sindicatos do país.

O Reino Unido está a viver uma das piores ondas de greves em décadas, de trabalhadores ferroviários, dos correios e estivadores em defesa de melhores salários para fazer face à inflação crescente.

A partir de hoje e até sábado, dezenas de milhar de trabalhadores ferroviários britânicos faltarão ao trabalho, com o apoio dos maiores sindicatos do país, como o RMT, TSSA e o Unite, naquela que será a maior greve da indústria em 30 anos.

A operadora da rede ferroviária estatal, Network Rail, já tinha avisado que durante as férias escolares apenas circulariam um em cada cinco comboios e pediu aos britânicos para viajarem "apenas se fosse absolutamente necessário".

Na sexta-feira, toda a rede de transportes de Londres estará praticamente suspensa e permanecerá com grandes perturbações durante todo o fim de semana.

De igual forma, no domingo serão os estivadores do maior porto de carga do país -- Felixtowe, no leste do Reino Unido - a iniciar uma greve de oito dias, sendo que já ameaçaram paralisar grande parte do tráfego de carga do país.

Previstas mais greves: porquê?

Entre o final de agosto e o início de setembro, estão também previstos quatro dias de greve para mais de 115 mil trabalhadores dos correios, bem como 40 mil empregados da operadora de telecomunicações BT farão a sua primeira greve em 35 anos.

Todas estas greves unem-se num objetivo: aumentar os salários em função da inflação, que atingiu 10,1% no Reino Unido em julho e poderá ultrapassar os 13% em outubro, de acordo com as previsões do Banco de Inglaterra.

Por sua vez, o poder de compra dos britânicos está a ser corroído por aumentos de preços a uma velocidade recorde, o que "demonstra a necessidade vital de defender o valor da remuneração dos trabalhadores", defendeu a secretária-geral do sindicato Unite, Sharon Graham, numa declaração.

"Os empregadores estão a fazer o seu melhor para ajudar o seu pessoal durante este período", disse o sindicato dos empregadores da CBI na terça-feira.

"Mas uma grande maioria não pode dar-se ao luxo de aumentar os salários o suficiente para acompanhar a inflação", continuou.

Outro motivo por detrás desta onda grevista corresponde à recente alteração da lei feita pelo Governo que permite a utilização de trabalhadores temporários para substituir que está em greve.

A cadeia de lojas de luxo Harrods foi a primeira a ameaçar os trabalhadores com a utilização desta lei, de acordo com o Unite.

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