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Alemanha investiga dois funcionários suspeitos de serem espiões russos

Computer hacker working on laptop late at night in office
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Suspeitos trabalham numa área "particularmente sensível" relacionada com a política energética do país. Governo alemão reforçou a contrainformação perante os novos casos de espionagem russa.

O governo alemão está a discutir como melhorar a contrainformação perante a Rússia, numa altura em que dois funcionários do Ministério da Economia estão a ser investigados num caso de suspeitas de espionagem.

A notícia foi avançada pelos jornais alemães Die Zeit e Handelsblatt que deram conta, esta quinta-feira, que os dois funcionários suspeitos de serem espiões russos trabalham numa área "particularmente sensível" relacionada com a política energética do país.

As suspeitas começaram depois destes homens terem defendido e insistido em posições pró-Rússia sobre questões-chave, como a suspensão do gasoduto Nord Stream 2 e a nacionalização da subsidiária alemã Gazprom Germania.

Konstantin von Notz, especialista em informações e político dos Verdes, partido que compõe o governo, admitiu ao Handelsblatt ser necessária uma "análise e reajustamento" com o objetivo de "melhor afastar esta ameaça à segurança". O Ministério da Economia recusou-se a comentar.

A partir do 11 de setembro de 2011, a contrainformação na Alemanha passou a receber pouca atenção, com a agência de inteligência estrangeira, a BND, a encerrar as suas operações de contraespionagem. O novo inimigo comum seria o terrorismo islâmico e a espionagem ficaria no passado da Guerra Fria.

Serviços Secretos admitem ter negligenciado ameaça russa

"Para ser honesto, negligenciamos completamente a questão da Rússia", revelou ao Spiegel um antigo membro dos BfV, os Serviços Secretos da Alemanha.

A dependência do gás natural e do petróleo russos, a esperança de que os laços económicos produzissem mudanças políticas e uma visão romantizada da Rússia impediram a Alemanha de reagir à hostilidade óbvia.

Mas a Alemanha, a democracia economicamente mais forte da Europa, continuou a ser um dos principais alvos de Moscovo. Mesmo antes da invasão da Ucrânia, a Alemanha e a Rússia estavam em desacordo sobre questão ligadas a ciberataques e diferentes casos de espionagem.

No ano passado, um tribunal alemão condenou um cidadão russo a prisão perpétua por ter matado a tiro um antigo comandante checheno num parque de Berlim, em plena luz do dia. A ordem terá sido dada por Moscovo.

Outro julgamento teve lugar em Munique, em junho, acusando um cidadão russo de conspirar para matar um dissidente checheno que vivia na Alemanha sob as ordens de Ramzan Kadyrov.

Já no passado mês de agosto, um oficial na reserva alemão de 65 anos começou a ser julgado, em Dusseldorf, por passar informações aos serviços russos, desde outubro de 2014 até março de 2020, enquanto trabalhava para o exército alemão.

Entre outras coisas, acredita-se que Ralph G. tenha fornecido à Rússia trechos de um livro branco não publicado da Bundeswehr de 2016, descrevendo as diretrizes da política de segurança do governo alemão, um documento que recebeu extensas revisões após a anexação da Crimeia por Moscovo.

Num outro caso, em abril um tribunal em Munique proferiu uma sentença de prisão suspensa de um ano a um cientista russo por transmitir a Moscovo segredos sobre o programa espacial europeu "Ariane" enquanto trabalhava numa universidade alemã.

Dias antes, um segurança da embaixada britânica em Berlim foi extraditado para o Reino Unido para enfrentar acusações de espionagem para a Rússia.

Em outubro de 2021, um homem alemão foi condenado a uma pena suspensa de dois anos por transmitir as plantas dos edifícios do parlamento aos serviços secretos russos enquanto funcionário de uma empresa de segurança.

"Com a guerra na Ucrânia, a ameaça de espionagem russa, campanhas de desinformação e ataques cibernéticos ganharam outra dimensão", disse recentemente a ministra do Interior alemã, Nancy Faeser, do Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda. A preocupação estende-se a toda a coligação.

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