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Em dois anos, foram encontrados mais de 5.000 restos humanos num estado mexicano

Em dois anos, foram encontrados mais de 5.000 restos humanos num estado mexicano
©fitopardo/Getty Images
Ativistas dizem que os corpos encontrados em fossas clandestinas estão relacionados com a violência dos cartéis envolvidos no narcotráfico.

Mais de 5.000 restos humanos, incluindo 71 corpos completos, foram encontrados por ativistas nos últimos dois anos em fossas clandestinas em Vera Cruz, estado do leste do México que vive há uma década em situação de emergência humanitária.

A fundadora do Colectivo Solecito, Angeles Díaz Gaona, divulgou que os ativistas continuam a desenterrar restos humanos em fossas clandestinas, relacionadas com a violência proveniente dos cartéis envolvidos no narcotráfico.

"A situação que se regista em Vera Cruz é a que temos sempre, o tema dos desaparecidos permanece o tema central da violação dos direitos humanos", indicou a ativista em declarações à agência noticiosa Efe.

Os membros do Colectivo Solecito, que efetuam um trabalho de busca dos seus desaparecidos, localizaram em 2016, no porto de Vera Cruz (golfo do México), a maior fossa clandestina da América Latina com 302 corpos. Angeles Gaona referiu que permanecem confrontados com a ausência dos perfis genéticos das famílias dos desaparecidos, demora na identificação de restos nos serviços periciais e inexistência de investigações.

Na última década foram localizados em diversas regiões do estado de Vera Cruz um total de 642 cemitérios clandestinos, segundo informação oficial. A Procuradoria-geral do estado de Vera Cruz registou durante esse período um total de 609 corpos recuperados de fossas, e ainda outros 381 corpos e 56.000 restos humanos.

Vera Cruz foi, durante mais de 15 anos, palco dos efeitos da violência motivada pela presença de grupos com ligações ao narcotráfico, e ao seu combate pelas forças policiais, do exército e da marinha. Relatórios dos serviços de informações chegaram a detetar a presença de pelo menos cinco organizações criminais: o cartel de Los Zetas, Gente Nueva Generación, Jalisco Nueva Generación, El Golfo, e Grupo Sombra.

A situação em Vera Cruz é reflexo de uma crise nacional, só em maio do ano passado, foi ultrapassada a barreira de mais de 100.000 pessoas desaparecidas e não localizadas no México desde 1964. A Comissão nacional de busca de pessoas do México registou 5.377 pessoas desaparecidas no estado mexicano.

Neste contexto, Díaz Gaona lamentou que apesar do esforço das famílias para localizar os seus familiares em enterros ilegais, as autoridades continuam a não fornecer a identidade das vítimas da violência.

"Encontramos estas vítimas com muita frequência e as autoridades continuam sem as identificar", disse.

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