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Ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol diz que populismos acabam sempre em tragédia

Ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol diz que populismos acabam sempre em tragédia
TIZIANA FABI

Albares indica que Espanha está do lado da construção europeia e defende os pilares na base da União Europeia, como “o pluralismo”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, José Manuel Albares, considerou esta segunda-feira legítimo o resultado das eleições de domingo na Itália, mas alertou para o crescimento dos populismos, que "acabam sempre em catástrofe".

"Os italianos votaram livremente, legitimamente escolheram quem pensam que deve conduzir os próximos tempos. Como ministro dos Negócios Estrangeiros, permitam-me que seja prudente no momento de fazer avaliações", afirmou Albares, numa iniciativa da agências de notícias espanhola Europa Press, em Madrid, em que sublinhou que o Governo espanhol "tenta ter a melhor relação possível com todos os parceiros europeus".

O ministro disse que ainda será necessário esperar semanas para se saber que coligação governamental sairá das eleições legislativas italianas de domingo, em que a extrema-direita foi a força política mais votada, e reforçou que Espanha está do lado da construção europeia e defende os pilares na base da União Europeia, como "o pluralismo", "a diversidade" ou o estado de Direito, por oposição "ao modelo autoritário" que defende o regime russo e partidos presentes em diversos os países da Europa.

Albares defendeu que a Europa está num momento de mudança, o maior desde a queda do Muro de Berlim, em 1989, e que em períodos "de incerteza" como este, o populismo e os movimentos demagógicos "crescem sempre e acabam sempre da mesma maneira, em catástrofe", porque "dão respostas simples a muito curto praxo para problemas muito complexos".

"Têm sempre a mesma receita: fechemo-nos e regressemos ao passado", acrescentou o ministro, que sublinhou que estas forças políticas e movimentos também avançam em Espanha, país que tem eleições legislativas previstas para o final de 2023, além de outras regionais e municipais ao longo do próximo ano.

Questionado sobre a possibilidade de haver em Espanha um resultado similar ao de Itália, o ministro, que integra um governo de esquerda, liderado pelos socialistas, respondeu "que não tem nada a ver" e que "cada país vive situações muito diferentes".

Em Espanha, a extrema-direita, através do partido Vox, entrou pela primeira vez numa coligação de governo este ano, no Executivo regional de Castela e Leão, integrando uma aliança com o Partido Popular (PP, direita).

A presidente do partido italiano de extrema-direita Irmãos de Itália (FdI), Giorgia Meloni, declarou na última noite a vitória nas eleições legislativas de domingo, reivindicando a liderança do próximo Governo.

"Os italianos enviaram uma mensagem clara de apoio a um Governo de direita liderado" pelo FdI, disse à impresa Meloni, que deverá tornar-se a primeira mulher a liderar o executivo de Itália.

De acordo com resultados parciais, a coligação de direita e extrema-direita - liderada pelo FdI e que reúne ainda a Liga, de Matteo Salvini, e o partido conservador Força Italia, de Silvio Berlusconi - obteve cerca de 43% dos votos nas legislativas.

O bloco de centro-esquerda, liderado pelo Partido Democrático, de Enrico Letta, deverá ter 26% dos votos.

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