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Eleições em Itália: Meloni e Berlusconi reconciliam-se após zanga

Eleições em Itália: Meloni e Berlusconi reconciliam-se após zanga
Gregorio Borgia

Os parceiros de coligação nas legislativas italianas Giorgia Meloni e Silvio Berlusconi reconciliaram-se após um desentendimento sobre a partilha do poder.

Os parceiros de coligação nas legislativas italianas Giorgia Meloni, provável próxima primeira-ministra (dos Irmãos de Itália, extrema-direita), e o ex-primeiro-ministro do conservador Força Itália, Silvio Berlusconi, reconciliaram-se, esta segunda-feira, após um desentendimento sobre a partilha do poder.

O multimilionário da comunicação social Berlusconi descreveu Meloni como “presunçosa, prepotente, arrogante e ofensiva” em notas escritas na semana passada e captadas pelas câmaras da imprensa depois de o Força Itália não ter apoiado o candidato dos Irmãos de Itália (FdI), Ignazio Benito Maria La Russa - braço-direito de Meloni e antigo líder do Movimento Social Italiano, o partido dos últimos fascistas - na eleição em que este se tornaria presidente do Senado (a câmara alta do Parlamento italiano), devido a uma crescente fricção quanto à composição do novo Governo italiano saído das legislativas antecipadas de 25 de setembro.

La Russa foi eleito graças a alguns votos que se pensa terem procedido da oposição do centro, embora os centristas tenham tentado atribuir a responsabilidade à oposição de centro-esquerda.

Meloni, que deverá tornar-se a primeira mulher a chefiar um Governo em Itália, depois de os FdI terem obtido a primeira posição na vitória da coligação eleitoral, respondeu ao seu parceiro de coligação dizendo que Silvio Berlusconi se tinha esquecido de escrever “não suscetível de chantagear” na lista que foi fotografada e publicada no diário italiano La Repubblica (indireta relacionada com o facto de Berlusconi ter sido expulso do senado há nove anos após condenação por fraude fiscal).

A tensão causada pelos vetos de Meloni aos candidatos ministeriais do Força Itália, incluindo a predileta de Berlusconi, Licia Ronzulli, para a pasta da Justiça chegou ao ponto de se dizer que o Força Itália iria sozinho às consultas com o Presidente da República, Sergio Mattarella, sobre a formação do novo Governo, em vez de ir juntamente com os seus parceiros da coligação de direita, que também inclui a Liga, o partido de extrema-direita de Matteo Salvini.

Mas Meloni e Berlusconi alegadamente conversaram por telefone no domingo e depois encontraram-se, esta segunda-feira, nos escritórios dos FdI em Roma para ultrapassarem o diferendo.

Silvio Berlusconi, o excêntrico empresário milanês que se tornou político e foi três vezes primeiro-ministro de Itália, de 86 anos, chegou sozinho à sede histórica dos FdI, na rua della Scrofa, e foi pessoalmente recebido por Meloni, de 45, no terraço do edifício.

Berlusconi partiu cerca de uma hora e meia depois, sem emitir quaisquer declarações.

Os dois líderes não têm feito comentários sobre tensões entre ambos acerca da composição do próximo Governo, que se espera que Meloni apresente ao Presidente Mattarella ainda este mês.

Após as conversações desta segunda-feira, FdI e Força Itália emitiram um comunicado conjunto afirmando que “a reunião decorreu num clima de unidade de intenções e da máxima cordialidade e cooperação".

“Os Irmãos de Itália e o Força Itália vão apresentar-se unidos, juntamente com as outras forças da coligação, nas próximas consultas com o Presidente, Sergio Mattarella”, refere.

A nota conjunta indicava ainda que as duas partes “estão a trabalhar para dar a Itália um Governo forte, coeso e de alto nível o mais rapidamente possível, que meta mãos ao trabalho imediatamente para lidar com as emergências” que o país enfrenta, incluindo uma crise do custo de vida desencadeada por uma crise energética e uma recessão iminente.

No domingo, Meloni disse que a oposição de centro-esquerda deveria “aceitar” o facto de que a coligação que ela lidera “reerguerá a Itália novamente”.

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