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Turquia pode converter-se numa ditadura? Capa da "The Economist" está a ser criticada

Turquia pode converter-se numa ditadura? Capa da "The Economist" está a ser criticada
The Economist

Capa sugere que a Turquia poderá converter-se numa ditadura em caso de uma nova vitória do Presidente Erdogan nas presidenciais deste ano. Turquia está em plena contagem decrescente para as eleições presidenciais e legislativas.

As autoridades turcas criticaram a capa da revista "The Economist" desta semana, na qual se sugere que a Turquia poderá converter-se numa ditadura em caso de uma nova vitória do Presidente Recep Tayyip Erdogan nas presidenciais deste ano.

Numa mensagem publicada na rede social Twitter, o porta-voz da Presidência turca, Fahrettin Altun, definiu o artigo da revista britânica de "propaganda barata" e assinalou que "a reciclagem desta ideia demonstra que a equipa [da publicação] está intelectualmente entediada e ignora a realidade turca".

“Parece que se sentem obrigados a anunciar o fim da democracia turca através de 'clichés', desinformação e propaganda”.

"São títulos indignos e provocadores que talvez ajudem a revista, e assim felicitamo-los pela sua engenhosa ideia de 'marketing', mas devemos recordar aos leitores que isto é jornalismo sensacionalista baseado em propaganda barata", acrescentou.

O porta-voz do Presidente Erdogan, Ibrahim Kalin, também criticou a revista e atribuiu a capa ao "desejo de reformar a Turquia para que se encaixe na ordem global estabelecida".

"Nós, certamente, estamos ofendidos por isso", afirmou Ibrahim Kalin, antes de sublinhar que "à medida que se aproximam as eleições surgem novas acusações sobre uma ditadura na Turquia".Em dezembro, Erdogan indicou que ia voltar a pedir o apoio da população para um último mandato presidencial de cinco anos antes de se retirar da vida política.

Eleições presidenciais e legislativas na Turquia

A Turquia está em plena contagem decrescente para as cruciais eleições presidenciais e legislativas que devem decorrer até junho próximo.

Na quarta-feira, Erdogan deu a entender que as eleições poderiam ser realizadas a 14 de maio, um mês antes da data inicialmente prevista.

A data inicial das eleições é 18 de junho, mas muitos observadores têm previsto um escrutínio antecipado.

Diversas razões têm sido invocadas por editorialistas turcos para esta opção, entre as quais a economia em queda, mas também as datas das férias escolares e dos exames de admissão na universidade, previstos para junho.

O chefe de Estado turco, também líder do partido islamita e conservador AKP, foi primeiro-ministro entre 2003 e 2014, e desde então ocupa a Presidência do país euro-asiático.

Em 2017, uma emenda constitucional alterou o sistema para um regime presidencialista, com Erdogan a ser reeleito em 2018.

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