O presidente da região italiana de Lázio, Francesco Rocca, anunciou esta terça-feira que o seu chefe de comunicação vai manter-se no cargo, apesar da polémica que provocou com comentários sobre o atentado terrorista neofascista ocorrido em Bolonha em 1980.
O porta-voz da região de Lázio, Marcello De Angelis, suscitou a indignação e levou toda a oposição italiana a exigir a sua demissão após defender membros de uma organização neofascista condenados pelo atentado terrorista em Bolonha, que causou 85 mortos e mais de 200 feridos, cujo aniversário foi assinalado na semana passada, a 02 de agosto.
De Angelis, antigo senador e agora responsável pela comunicação da região de Lázio, escreveu na sua conta na rede social Facebook que tem a certeza da inocência de três membros do grupo terrorista de inspiração neofascista Núcleo Armado Revolucionário (NAR) condenados pelo maior atentado em Itália desde a Segunda Guerra Mundial.Luigi Ciavardini, Valério Fioravanti, Francesca Mambro e Gilberto Cavallini, todos membros do grupo terrorista de extrema-direita, assim como Paolo Bellini, foram declarados os autores materiais do atentado de 02 de agosto de 1980 na estação ferroviária de Bolonha, e condenados a 30 anos de prisão.
Depois da publicação de Marcello De Angelis, que é cunhado de Luigi Civardini e tem ele próprio um passado ligado a movimentos de extrema-direita nas décadas de 1970 e 80, toda a oposição e associações de familiares das vítimas manifestaram a sua indignação por o porta-voz da região de Lázio colocar em causa a natureza neofascista do atentado, e exigiram a sua demissão, quer ao presidente da região, o conservador Francesco Rocca, quer à primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.
Na segunda-feira, Rocca indicara que só tomaria uma decisão depois de conversar com De Angelis, tendo admitido que já discutira o sucedido com a primeira-ministra, Giorgia Meloni, revelando que esta não estava "nada contente".
Contudo, esta terça-feira, o presidente da região de Lázio anunciou que se encontrou com Marcello De Angelis na segunda-feira à noite e, "após uma longa reflexão e uma discussão honesta e cuidadosa", decidiu não retirar a sua confiança no porta-voz, que alega ter expressado simplesmente "reflexões pessoais".
O principal partido da oposição, o Partido Democrático, de esquerda, já deplorou a decisão de Rocca de manter o seu responsável de comunicação, considerando que se trata de "uma bofetada na cara das vítimas do massacre de Bolonha e das suas famílias, depois das frases delirantes escritas nas redes sociais", e agendou mesmo para quarta-feira uma manifestação de protesto diante do Conselho da Região de Lázio.
A polémica publicação de De Angelis ocorreu na sequência da comemoração do 43.º aniversário do massacre, a 02 de agosto, que já ficara marcado pela polémica, dado a primeira-ministra Giorgia Meloni, líder do partido de extrema-direita Irmãos de Itália, não ter comparecido e, na mensagem divulgada por ocasião da efeméride, ter-se escusado a mencionar a motivação neofascista do atentado e ter defendido a busca da "verdade sobre os massacres que marcaram a Itália no pós-guerra".
As palavras de Meloni, consideradas ambíguas, contrastaram com as do Presidente de Itália, Sergio Matarella, que na ocasião sublinhou que "a matriz neofascista do massacre foi apurada nos processos e foram descobertos encobrimentos e enganos desprezíveis, nos quais participaram associações secretas e agentes desleais dos aparelhos do Estado".
Meloni não comentou publicamente a polémica a envolver De Angelis, apesar de a oposição ter solicitado a sua intervenção.

