Joseph Figueiras Martin é suspeito de espionagem, de ligações e fornecimento de armas aos rebeldes e incitamento ao terrorismo. Tem a mulher, a mãe, o filho bebé, o irmão e um primo à espera, em Portugal, mas as perspetivas imediatas são as piores.
O funcionário da FHI 360, uma organização não-governamental americana, está detido desde o final de maio na República Centro Africana. Depois da primeira audiência em tribunal, foi transferido do centro de detenção temporário para uma prisão militar, em Bangui.
"Bem mais hostil e para pessoas condenadas por situações muito, muito graves. Então é algo que não tem nada a ver com a realidade que o meu irmão sempre teve e com o trabalho que desenvolve na região", conta o irmão Georges Figueiras Martin.
Joseph, de 41 anos, há uma década que desenvolve projetos de cooperação entre organizações não governamentais e populações em vários pontos da África. Depois da transferência para a prisão militar conhecida como acampamento vermelho, entrou em greve de fome pelo que diz ser a injustiça das acusações. A família receia pela sua integridade física.
"A partir do momento que não come, começa a ter dificuldade para tudo, para pensar, para viver. Nós entendemos que ele precisa comer o mais rapidamente possível", explica o irmão.
O Ministério Público da República Centro-africana acusa Joseph Figueiras Martin de fornecer armas e dinheiro aos rebeldes e encorajar a criação de um grupo terrorista internacional. Foram também divulgadas informações de que no telemóvel do detido haveria provas de espionagem. Em alguns sites internacionais sugere-se que serão provas manipuladas por mercenários do grupo Wagner.
A família, que não tem conseguido comunicar com Joseph, garante que só pode ser um mal entendido. As notícias sobre a sua situação têm chegado via cruz vermelha e através dos cônsules português e belga.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros confirma que além do cônsul honorário em Bangui, o caso também está a ser acompanhado pelas embaixadas de Kinshasa e de Bruxelas, que têm estado em contacto com o embaixador da República Centro Africana, em Bruxelas. Diligências no sentido de garantir que o cidadão luso – belga seja tratado de forma condigna.
