Centenas de venezuelanos buscam abrigos improvisados na pequena cidade de Pacaraima, na fronteira do Brasil. Mais de um mês após o conturbado processo eleitoral na Venezuela, tem aumentado o fluxo de migração para o país vizinho. Grande parte da comunidade internacional não reconhece a vitória de Nicolás Maduro.
De acordo com dados da Agência para Refugiados da ONU e do Governo brasileiro, cerca de 12 mil venezuelanos chegaram pela fronteira do estado de Roraima, no norte do Brasil, só no mês de agosto, o que representa um terço a mais do que em julho.
Chegam famílias, que muitas vezes caminham por dias, com seus poucos pertences, entre eles idosos e muitas crianças. As condições são difíceis, mas contam que a situação na Venezuela era insustentável.
"Com uma vida assim, tinha de procurar outro sítio", admite um dos muitos migrantes.
Fluxo tem aumentado desde 2016
O fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil intensificou-se entre 2016 e 2018, com o agravamento da crise social e econômica no pais, mas a escalada de tensão na Venezuela após as eleições do final de julho criou um ambiente de mais medo e incertezas.
Incerteza sobre a situação na Venezuela e também sobre como vão ficar as relações do país com Brasil. O Governo de Lula da Silva não reconheceu até agora o resultado das eleições.
Desconforto entre Brasil e Venezuela
A Venezuela retirou a autorização para o Brasil representar no país os direitos da Argentina, cuja embaixada passou a ficar sob a proteção do Governo brasileiro desde o final de julho.
Na ocasião, o Executivo venezuelano expulsou diplomadas argentinos e de outros seis países que questionaram a vitória de Maduro nas presidenciais.
O Ministério das Relações Exteriores brasileiro reagiu e anunciou que vai continuar com a custódia da embaixada da Argentina em território venezuelano até outro representante ser indicado. O episódio aumentou o desconforto da diplomacia brasileira em relação a Venezuela e ao Governo de Maduro.