A devastação provocada pelo recente ciclone que atingiu Cabo Delgado, em Moçambique, trouxe uma nova camada de sofrimento a uma população que já enfrenta as consequências de sete anos de conflito armado. Isadora Zoni, do ACNUR, descreve a situação como “um grande pesadelo”.
“Ontem estive em Mecufe, o distrito mais afetado aqui em Cabo Delgado, e o que pude ouvir das pessoas é que é um pesadelo que não acaba. As pessoas foram dormir num dia com a sua casa, com as suas coisas, e acordaram no dia seguinte sem nada".
A região, que já acolhia cerca de 300 mil deslocados devido ao conflito que já dura há 7 anos, vê-se agora obrigada a lidar com um novo êxodo. “É o agravamento de uma situação que já era bastante difícil. As pessoas estão a fugir pela segunda ou até pela terceira vez, seja devido a conflitos ou a questões de impacto climático".
De acordo com os dados mais recentes das Nações Unidas, pelo menos 190 mil pessoas precisam urgentemente de ajuda humanitária. Isadora Zoni explica que as necessidades mais urgentes incluem abrigo, comida, cobertores, tendas, água, saneamento e proteção das pessoas mais vulneráveis.
“Nas primeiras 24 horas, o ACNUR conseguiu apoiar 2600 pessoas aqui na cidade de Pemba, no centro de acolhimento, com itens como abrigo e alimentação, em parceria com o Programa Alimentar das Nações Unidas,” afirmou Zoni, destacando o esforço coordenado das diferentes entidades presentes no terreno.
Contudo, as dificuldades são imensas. Em muitas comunidades, como Mecufe, não há eletricidade, sinal de telefone ou acesso à internet. “As rodovias ficam prejudicadas, o que dificulta o acesso dos camiões com assistência. Portanto, estes são ainda números preliminares que estamos a acompanhar em conjunto com o Governo para vermos a real situação".
Apesar dos problemas, "isso não está a dissuadir os nossos esforços de resposta", garante Isadora.
“Quando chegamos ao terreno, o que vemos é uma devastação total. Não há recursos. Falta tudo. É necessário mais apoio e coordenação, mas também mais recursos para responder à grandeza destas necessidades".
