Dois de fevereiro é dia da deusa do mar.Os devotos, vindos de todas as partes do mundo, começam a chegar à praia de madrugada. Iemanjá é uma orixá presente nas religiões de matriz africana. A Bahia é o estado de maior ancestralidade fora do continente africano e Salvador o maior palco de oferendas e homenagens.
A cerimónia popular acolhe todos, embora a raiz deste ritual se encontre nas comunidades de terreiros, onde cada um se expressa com ritos diferentes.
No terreiro Menininha de Gantois, fundado por Maria Júlia Nazaré - uma escrava negra que conseguiu alugar este espaço a um traficante de escravos belga, em 1849 -, o dia de Iemanjá é um dia igual aos outros. Diz a tradição que entregar oferendas, promove lucidez, assertividade nas escolhas.
Na Bahia, há vários terreiros que regem crenças religiosas. Dez deles são património histórico e etnográfico, incluindo Casa Branca do Engenho Velho, um dos mais antigos do Brasil e responsável pela origem de muitos outros.
Todos os orixás femininos são filhos de Iemanjá. Nos terreiros, a religião afro-brasileira obedece a uma hierarquia e o conhecimento passa de geração em geração. Ajudar o próximo, dentro e fora da comunidade, é uma das missões dos terreiros.
No meio da multidão, todos os anos há centenas de devotos que chegam pela primeira vez. A fé enche a praia de flores e aroma a lavanda.
Depois das ofertas chegarem à praia, os barcos dos pescadorescomeçam a fazer vários percursos, para agradecer a Iemanjá. É assim durante todo o dia.