Na Austrália, o aumento da temperatura da água do mar está a provocar a degradação acelerada de algumas das maiores estruturas de coral do mundo, com consequências devastadoras para os ecossistemas marinhos.
Quem está à superfície só pode adivinhar o grau de destruição do recife de coral de Hall, ao largo da costa sudoeste da Austrália. Mas sob as águas, a realidade é alarmante. Uma intensa onda de calor, no final do verão austral, em março passado, fez subir a temperatura do mar em quatro graus Celsius.
Os efeitos estão à vista, não apenas aqui, mas também ao longo da costa nordeste, onde se encontra a maior estrutura de recifes do mundo: a Grande Barreira de Coral australiana.
A subida anómala da temperatura está a acelerar fenómenos como o branqueamento e a fragmentação dos corais, processos que enfraquecem estas frágeis estruturas coletivas subaquáticas, tornando-as mais vulneráveis à morte.
O colapso dos corais compromete diretamente a biodiversidade marinha e a estabilidade dos ecossistemas oceânicos a nível global.
É aqui que entra a tecnologia. Os Hydrus, drones subaquáticos equipados com inteligência artificial, permitem mapear em três dimensões o estado real dos recifes, de forma mais barata, mais segura e com maior alcance, especialmente em zonas remotas e perigosas do oceano.
Esta nova tecnologia permite monitorizar regularmente as alterações que ocorrem abaixo da superfície, muitas vezes a centenas ou mesmo milhares de quilómetros da costa.
A capacidade de diagnóstico existe. O sinal de alarme também. Agora, o que falta é vontade política para travar, ou pelo menos mitigar, o avanço das alterações climáticas.