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Redes sociais: "Incapacidade de autocontrolo" dos adolescentes deixa-os mais vulneráveis

Emmanuel Macron, anunciou a proibição das redes sociais para menores de 15 anos em França. A psicóloga Ivone Patrão comenta os riscos das redes sociais para adolescentes, a importância da supervisão parental e a necessidade de capacitação de jovens, professores e pais.

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O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou a proibição das redes sociais para menores de quinze anos, medida anunciada após a morte uma vigilante, esfaqueada esta terça-feira por um aluno de 14 anos durante uma revista de mochilas frente uma escola no nordeste da França.

Sobre esta medida, a psicóloga clínica Ivone Patrão considera que a idade proposta é uma questão objetiva, afirmando que o córtex pré-frontal (responsável pelo planeamento de decisões e pelo autocontrolo) de um adolescente não está completamente desenvolvido, ao contrário da amígdala, (responsável pelo processamento de decisões mais impulsivas).

Para Ivone Patrão, o desenvolvimento da identidade nos jovens, aliado exposição às redes sociais, levam à integração de grupos e comunidades que promovem discursos de ódio, atitudes mais agressivas, mais abusivas e pouco empáticas.

“Temos também que perceber que esta questão das redes sociais na adolescência estão, no fundo, a surgir muitas vezes sem a capacitação dos nossos jovens, sem a capacitação dos professores, dos pais, sem nós conseguirmos perceber a importância da supervisão parental."

Face à proibição dos telemóveis até ao 6,º ano de escolaridade proposta pelo governo português, a psicóloga ressalta a importância de medidas de regulação interna, como o diálogo e sensibilização entre jovens, famílias e professores sobre o risco da ciberdependência, comportamentos problemáticos e compulsivos relacionado ao uso excessivo do digital, como a plataforma TikTok.

"O TikTok é uma rede social, que tem por trás um algoritmo fortíssimo e que atrás de um vídeo vem outro e outros e sempre associados a vídeos a que eu tenho interesse. Um jovem com menos capacidade de autocontrolo dos seus impulsos vai ficando ali e vai ficando ali a ver aquilo que gosta, numa zona de bem-estar."

A psicóloga sugere a sensibilização das camadas mais jovens sobre a importância do amor-próprio, autocuidado, investindo na gestão das emoções, no desenvolvimento das competências nas relações interpessoais, competências que o mercado de trabalho exige.