O aeroporto de Munique sofreu perturbações devido ao avistamento de drones, num episódio que se junta a outros recentes na Dinamarca e na Polónia. Para Liliana Reis, a Rússia está a usar drones e outras ações híbridas como forma de intimidar, criar ambiguidade e testar a solidez da União Europeia. A professora de Relações Internacionais lembra que as diferentes perceções de ameaça entre os 27 dificultam uma resposta comum e reforçam a vulnerabilidade europeia perante Moscovo.
Liliana Reis lembra que este tipo de ações corresponde à lógica da guerra híbrida, onde a ambiguidade é usada como arma: "Não se sabe quem está por detrás, mas consegue-se criar insegurança e testar a coesão europeia".
Segundo a especialista, a Rússia explora as diferentes perceções de ameaça entre os 27 Estados-membros, sabendo que uma resposta conjunta é difícil. Ao mesmo tempo, Moscovo tenta fragilizar os governos europeus através da pressão das próprias opiniões públicas.
"É este o verdadeiro campo de batalha: dividir os europeus e mostrar as fragilidades institucionais da União Europeia", conclui Liliana Reis.
O tráfego aéreo foi retomado esta manhã no aeroporto de Munique, depois de mais de nove horas de suspensão devido ao sobrevoo de drones de origem desconhecida.
No fórum de debate Valdai, na Rússia, Putin disse em tom de piada que não enviará mais drones para a Dinamarca, nem para outros países ou cidades da Europa. Entre os exemplos, indicou Lisboa porque não tem drones "que possam chegar" à capital portuguesa.
