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Autor de ataque em Manchester "partilhava vídeos do Daesh" e elogiou o 7 de outubro

Duas pessoas morreram e outras quatro ficaram feridas após um ataque terrorista junto a uma sinagoga de Manchester. Amigos do autor dos crimes revelam que o agressor radicalizou-se com o tempo. Há precisamente dois anos, celebrava os atentados do Hamas em Israel.

Sinagoga de Manchester
Sinagoga de Manchester
Hannah McKay

Jihad al Shamie, o autor do ataque a uma sinagoga de Manchester, que matou duas pessoas e deixou outras quatro feridas, consumia conteúdos relacionados ao Estado Islâmico [ou Daesh], tinha atitudes extremistas e elogiou os ataques do Hamas em Israel a 7 de outubro de 2023.

Amigos do agressor, um britânico de 35 anos de origem síria, contam à Sky News que o colega “começou a usar o Telegram e a procurar por vídeos do Daesh”.

“Uma vez, ele tentou mostrar-me um [vídeo]. Disse-lhe para ir embora e perguntei como tinha acesso àquele conteúdo. Contou-me que era pelo Telegram. Depois disso, não o vi por um longo período, até saber o que tinha acontecido”, relata Qas.

Asim, também amigo de Shamie, diz que o comportamento do britânico mudou com o tempo e “os seus pensamentos tornaram-se muito radicais”. “Ele começou a pedir-me grandes quantias de dinheiro. Quando recusei, ficou furioso”, acrescentou.

“Podias estar a ter uma conversa normal e, subitamente, ele começava a reclamar”, afirma outro colega, que não foi identificado.

Tinha “fantasias de violação”

Uma mulher com quem Jihad al Shamie terá tido um relacionamento revelou, ao Manchester Evening News, que o homem era “obcecado” num aplicativo de namoro e tinha “fantasias de violação”.

“Houve momentos em que me enviou vídeos com outras mulheres. Costumava dizer coisas estranhas. Não acredito que continuei [a relação] por tanto tempo.”

A mulher diz ainda que o ex-namorado, que terá tido vários casamentos e relações extraconjugais, demonstrava tendência extremistas e obrigava-a a assistir “vídeos radicais”.

“Sou muçulmana, mas aquilo eram coisas com as quais fui criada para discordas. Ele sempre dizia que eu tinha sido ensinada da maneira errada”, afirma.

Segundo a Sky News, há precisamente dois anos, Shamie celebrou os atentados do Hamas em Israel. “As cenas transmitidas (…) provam, sem sobra de dúvida, que Israel não continuará a existir”, terá dito na altura.

O que aconteceu em Manchester?

O ataque ocorreu na quinta-feira de manhã, no momento em que a sinagoga em Manchester, Inglaterra, estava com muitas pessoas devido à celebração de Yom Kippur.

O agressor investiu com o carro que conduzia contra pessoas que se encontravam em frente ao edifício, antes de sair do veículo e esfaquear várias delas. Pelo menos duas pessoas morreram - uma das quais vítima de um tiro da polícia, que também matou Shamie - e outras quatro ficaram feridas.

As vítimas eram membros da comunidade judaica de Manchester e viviam no bairro de Crumpsall, onde se situa a sinagoga de Heaton Park, onde ocorreu na sexta-feira uma vigila em homenagem às vítimas com mais de 100 pessoas.