Há ainda mais de 200 excursionistas isolados junto ao Monte Evereste, no lado chinês. Os nevões deste fim de semana suspenderam a emissão de licenças para entrar nos trilhos a caminho da montanha mais alta do planeta, mas o que já lá estavam tiveram dificuldade em voltar. Mais de 350 conseguiram chegar a salvo à aldeia mais próxima.
Quanto mais adiaram a saída mais complicado se tornou escapar ao nevão. Os bombeiros do Tibete perceberam a gravidade em que se encontravam centenas de pessoas e avançaram segunda-feira com alguns resgates. Quem saiu deixa o testemunho da força da natureza.
"À noite, quando mais de uma dúzia de nós se juntou na tenda, percebemos que, aproximadamente, de dez em dez minutos, tínhamos de limpar a neve da tenda, caso contrário, o peso da neve ia esmagá-la. Ficámos juntos para nos aquecermos e apoiarmos e, apesar de a tenda ter abatido talvez sete ou oito vezes, conseguimos pô-la sempre de pé o mais rápido possível. Foi extremamente difícil e estávamos preocupados."
As temperaturas estavam entre os três negativos e os 10 graus positivos, a pior zona do termómetro para os alpinistas e montanheiros.
"É um intervalo de temperatura bastante arriscado, porque qualquer temperatura acima de zero significa que se pode estar a lutar contra a humidade. Vai ficar molhado. Quando fica abaixo de zero, as coisas tornam-se muito mais fáceis porque a neve cai e fica congelada. Se estivermos a usar um casaco, a neve escorre do casaco. Podemos manter-nos secos e quentes", explica Nick Hollis, organizador de expedições na montanha.
As centenas de pessoas ainda presas na neve pouco podem fazer por agora.
Não se sabe o estado em que os trilheiros perdidos se encontram.
A grande afluência à zona explica-se por um período de mini-férias na China. Esta seria uma altura ideal para subir até perto do Evereste pelo lado oriental conhecido por Kangshung, não fossem as alterações climáticas, dizem muitos, a precipitar nevões fora de época.
