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Duas toneladas de cocaína numa lancha ao largo de Lisboa e "problemas técnicos" que impediram a fuga

Quatro narcotraficantes terão partido da Madeira com destino a Galiza. Ao serem intercetados, atiraram a droga ao mar e tentaram fugir, mas a embarcação usada estava em tão mau estado que afundou durante o reboque.

Duas toneladas de cocaína numa lancha ao largo de Lisboa e "problemas técnicos" que impediram a fuga
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A Polícia Judiciária (PJ) participou numa megaoperação contra o narcotráfico que resultou na apreensão de mais de 2,3 toneladas de cocaína. Os narcotraficantes foram localizados inicialmente ao largo da costa de Lisboa, onde esperavam por ajuda da rede criminosa sediada em Portugal.

Em comunicado divulgado esta quarta-feira, a PJ revela que participou "numa operação marítima de grande escala coordenada através do MAOC (N) [Centro de Análise e Operações Marítimas - Narcóticos]" para combater o narcotráfico. No âmbito da operação foram apreendidas "várias embarcações em águas internacionais" e feita "a interceção bem-sucedida de uma lancha de alta velocidade que transportava mais de 2,3 toneladas de cocaína".

"Uma vez que estas embarcações, por regra, não acatam as ordens das autoridades para parar, a unidade naval francesa envolvida na interceção teve mesmo de recorrer ao uso da força para desativar os motores da embarcação", avança a autoridade.

Após a abordagem, foram detidos "quatro tripulantes" e apreendida a droga. Os três tripulantes da lancha foram entregues às autoridades espanholas.

Mas há mais detalhes. O jornal "El Confidencial" avançou no passado dia 23 de outubro com a notícia de uma megaperação, à qual chamou "Malladoira", que tinha apreendido quase 2,4 toneladas de cocaína e detido quatro tripulantes.

A SIC confirmou que esta é a mesma operação anunciada esta quarta-feira pelas autoridades nacionais que a chamaram de "Galgo".

Os narcotraficantes também têm avarias

De acordo com o jornal espanhol, no crime "também há contratempos" e terá sido isso que aconteceu neste caso. A embarcação que transportava a droga tinha 12 metros, três motores, quatro tripulantes a bordo e "problemas técnicos".

A Administração de Combate à Droga dos EUA (DEA) deu o primeiro alerta na sexta-feira passada, dia 17 de outubro, para uma embarcação que integrava um dos carregamentos de droga que o grupo criminoso "fretava" através de uma rota que atravessa o Atlântico. Os investigadores acreditam que a cocaína era transportada da Madeira para a Galiza, com destino às Rías Baixas, num percurso de cerca de 1.500 quilómetros, para ser introduzida na Europa.

A lancha foi localizada no início da manhã de sábado, dia 18 de outubro, em alto mar, ao largo da costa de Lisboa. Segundo a Unidade de Combate à Droga e ao Crime Organizado da Polícia Nacional espanhola, citada pelo "El Confidencial", os narcotraficantes "estavam com problemas técnicos e esperavam por outra parte da rede criminosa, sediada em Portugal, para que prestasse apoio.

A espera acabaria, no entanto, por não ser bem-sucedida uma vez que o barco já tinha sido localizado pelas autoridades. Foi um navio da Marinha Francesa que os intercetou, durante a noite de sábado, e os escoltou até o cais Calvo Sotelo, no porto da Corunha.

De acordo com a Polícia Nacional, a quadrilha ainda tentou escapar, atirando a droga ao mar. Fontes policiais avançaram ainda que a embarcação usada na tentativa de fuga da patrulha francesa estava em tão mau estado que acabou por afundar durante o reboque.

A PJ dá conta de que a operação “Galgo” foi coordenada "através do MAOC (N) e envolveu uma estreita colaboração entre vários parceiros internacionais, incluindo a Marinha Francesa, o Gabinete Francês Antidrogas (OFAST), o Serviço Aduaneiro de Guarda Costeira (SGCD), a Agência Nacional do Crime do Reino Unido (NCA), a Administração de Combate à Droga dos EUA (DEA), a Marinha, Força Aérea e Polícia Judiciária portuguesas, bem como as autoridades espanholas".

Foram mobilizadas três fragatas, três aeronaves de vigilância e um helicóptero, dada a "extensa área marítima abrangida pela operação".