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"É claro que sabia das raparigas": revelado email que envolve Trump enviado por Epstein

A Casa Branca acusa, no entanto, os democratas de "fabricarem uma narrativa falsa" para difamar o Presidente norte-americano. Os congressistas alegaram que os documentos, obtidos a partir do espólio de Epstein, "levantam sérias questões sobre o que Donald Trump sabia acerca dos crimes horríveis" do milionário.

Donald Trump e a sua companheira Melania, Jeffrey Epstein e a sua ex-namorada Ghislaine Maxwell aparecem juntos no clube Mar-a-Lago, em Palm Beach, Florida, a 12 de fevereiro de 2000.
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O criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein afirmou em 2019 que o milionário Donald Trump "sabia das raparigas", de acordo com 'e-mails' atribuídos ao empresário nova-iorquino e divulgados esta quarta-feira por congressistas democratas. Em resposta, a Casa Branco acusa-os de "fabricarem uma narrativa falsa" para difamar o Presidente norte-americano.

Num dos 'e-mails', Epstein referiu que o Presidente dos Estados Unidos, Donald "Trump disse querer que renunciasse à condição de membro de Mar-a-Lago", a residência do líder republicano na Florida.

"É claro que ele [Trump] sabia das raparigas, pois pediu a Ghislaine que parasse", acrescentou Epstein, nessa mensagem.

Ghislaine Maxwell, ex-companheira e cúmplice de Epstein, cumpre atualmente uma pena de 20 anos de prisão por tráfico sexual de menores.

Trump "passou várias horas" com uma das vítimas

Em 2019, Epstein foi encontrado morto na cela, num suicídio segundo as autoridades, antes de ser julgado pelos crimes de abuso sexual e exploração de menores.

Donald Trump, que manteve durante anos uma relação próxima com Epstein antes de se afastarem no início dos anos 2000, negou sempre qualquer envolvimento ou conhecimento das atividades criminosas do financeiro nova-iorquino.

Num segundo 'e-mail' divulgado pelos congressistas democratas, Epstein escreveu que Trump "passou várias horas" com uma das vítimas na sua casa.

Os congressistas alegaram que os documentos, obtidos a partir do espólio de Epstein, "levantam sérias questões sobre o que Donald Trump sabia acerca dos crimes horríveis" do milionário.

Casa Branca fala em "narrativa falsa"

A Casa Branca acusou, entretanto, os democratas de "fabricarem uma narrativa falsa" para difamar o Presidente norte-americano.

"Os democratas fizeram chegar seletivamente 'e-mails' aos meios de comunicação de esquerda para fabricar uma narrativa falsa e difamar o Presidente Trump", disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, em comunicado.

O 'e-mail' em causa, enviado por Epstein ao escritor e jornalista Michael Wolff, foi publicado na rede social X por congressistas democratas e noticiado pelo jornal The New York Times e pela cadeia de televisão CNN.

A porta-voz da Casa Branca acrescentou que Giuffre "afirmou repetidamente que o Presidente Trump não fez nada de errado e que não podia ter sido mais amigável" nas poucas ocasiões em que se cruzaram.

O Governo de Trump divulgou também uma lista de artigos que, segundo a Casa Branca, demonstram a falta de fiabilidade de Michael Wolff e classificam o trabalho do jornalista, como "repleto de erros e imprecisões".

Caso voltou a ganhar destaque em julho

Em julho, o caso Epstein voltou a ganhar destaque depois de o Governo de Trump, que tomou posse a 20 de janeiro, ter afirmado que não encontrou novas provas que justificassem a divulgação de mais documentos sobre o caso, numa decisão contestada pela oposição democrata.

A morte de Epstein, em agosto de 2019, deu origem a múltiplas teorias da conspiração, incluindo suspeitas de homicídio, devido às ligações a várias figuras poderosas da política, finanças e alta sociedade norte-americana.

Donald Trump tem descrito as acusações como "uma farsa" e "uma manobra política" da oposição, procurando desvalorizar o impacto dos novos documentos.

Epstein, conhecido nos círculos de elite em Nova Iorque e Palm Beach nas décadas de 1990 e 2000, mantinha laços estreitos com figuras públicas, incluindo Trump, o antigo chefe de Estado norte-americano Bill Clinton e o príncipe André do Reino Unido.

Em setembro, membros democratas do Congresso divulgaram também uma carta de 2003, alegadamente escrita por Trump a Epstein, com conotações obscenas e assinada pelo republicano, algo que a Casa Branca desmentiu.

Com Lusa