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Bin Salman, o todo-poderoso príncipe saudita que não era herdeiro direto ao trono

Poucos meses depois da chegada à liderança, em 2017, sob a capa de luta contra a corrupção, começava uma purga dentro do reino, com a prisão em massa de membros da família real, ministros e homens de negócios. 

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A história do atual príncipe herdeiro da Arábia Saudita é a de uma ascensão meteórica. Todo-poderoso de uma das mais ricas monarquias do mundo, bin Salman é também acusado de governar com mão de ferro e ser implacável com os detratores, o que determinou que fosse considerado um pária da política mundial, até agora. 

Mohammed bin Salman nasceu no seio da mais exclusiva elite dentro da família real da Arábia Saudita. Neto do fundador do Estado, era o sétimo filho, sobrinho do herdeiro, mas isso não o demoveu de empreender uma ascensão meteórica dentro da hierarquia. 

Já com o pai sentado no trono do reino, foi nomeado ministro e vice-herdeiro. Esboçou um plano de ligeira abertura nos costumes hiper-conservadores do Estado e de diversificação de uma economia baseada no petróleo.  

Em 2017, com 31 anos de idade, removia-se o obstáculo com a remoção do cargo do primo, de quem se dizia ser dependente de drogas. Bin Salman tornava-se príncipe herdeiro. 

Poucos meses depois da chegada à liderança, sob a capa de luta contra a corrupção, começava uma purga dentro do reino, com a prisão em massa de membros da família real, ministros e homens de negócios. 

A polémica morte

Mas, porventura, aquilo que mais viria a marcar a recém liderança de Bin Salman foi a morte do jornalista Jamal khashoggi, colunista do Washington Post, no consulado saudita, em Istambul, em outubro de 2018.  

Os serviços secretos norte-americanos viriam a concluir que o corpo fora desmembrado por agentes sauditas na Turquia, muito provavelmente seguindo as ordens de Bin Salman. 

As fortes alegações determinaram o estatuto de pária do herdeiro do trono, membro do G20 que foi marginalizado da cimeira de Buenos Aires no mês seguinte, mas não por todos os líderes.  

Atraídos pela riqueza do Estado Saudita, e não por muito tempo, seis meses depois, Trump, ainda no primeiro mandato, puxou-o para bem perto. 

Inaugurava-se uma relação de promiscuidade entre a política e os negócios - com interesses mútuos entre as empresas, o filho e o genro de Trump a gerirem negócios no valor de milhares de milhões de dólares. 

Mediador na primeira fase da guerra da Ucrânia e palavra a escutar no plano de Trump para o dio Oriente.  

Factos que ditaram que a visita à Arábia Saudita e ao príncipe herdeiro tenham fossem a primeira de Estado do Presidente norte- americano em segundo mandato - retribuída, agora, em Washington.