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Braço-direito de Zelensky alvo de buscas por suspeitas de corrupção

Andriy Yermak está a ser investigado num caso de corrupção que envolve a empresa estatal de energia Energoatom.

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O Gabinete Anticorrupção Ucraniano (NABU) está esta sexta-feira a realizar buscas na casa de Andriy Yermak, chefe de gabinete do Presidente Volodymyr Zelensky.

Andriy Yermak, de 54 anos, está a ser investigado num caso de corrupção que envolve a empresa estatal de energia Energoatom (empresa pública de energia atómica).

O chefe de gabinete, em funções desde 2020, confirmou as informações sobre as buscas.

Através das redes sociais, Yermak disse que as autoridades procederam a investigações na casa onde reside e que não "encontraram obstáculos".

Na mesma mensagem, o chefe de gabinete acrescentou que os advogados que o representam estiveram no local e que colaboraram com os investigadores. 

Andriy Yermak, antigo produtor de cinema e advogado é considerado como uma figura muito influente na Ucrânia.

A suposta influência de Yermak sobre o chefe de Estado tem levantado questões e dúvidas junto da equipa presidencial ucraniana.

Zelensky prometeu "limpar" e "restruturar" empresa estatal de energia

No início do mês, o Presidente ucraniano prometeu "limpar" e "restruturar a gestão" da empresa.

Zelensky expressou total apoio às investigações e sublinhou que deve reinar no setor energético a "máxima integridade", numa altura em que a Rússia continua a tomar como alvo este tipo de infraestruturas, especialmente com a aproximação do inverno.

"Neste momento, a situação é extremamente difícil para todos na Ucrânia (...). É absolutamente inaceitável que, no meio de tudo isto, também existam esquemas no setor energético. Agora, todos devemos proteger a Ucrânia", sustentou na altura.

"Operação Midas"

O caso rebentou no dia 10 de novembro, quando o Gabinete Anticorrupção Ucraniano anunciou ter realizado 70 buscas para desmantelar um "sistema criminoso" que permitiu o desvio de 100 milhões de dólares (cerca de 86 milhões de euros, ao câmbio atual) no setor energético.

Batizada de "Midas", em homenagem ao rei da mitologia grega que transformava em ouro tudo o que tocava, a operação já fez cair os ministros da Energia e da Justiça.

Segundo o NABU, o esquema de corrupção obrigava os subcontratados da Energoatom a pagar sistematicamente 10% a 15% do valor dos contratos como subornos para evitar o bloqueio dos pagamentos devidos ou para não perderem o estatuto de fornecedor.

Os alegados responsáveis por este sistema também criaram uma cadeia de decisão paralela dentro da empresa estratégica, impondo "gestores-sombra". O dinheiro era, subsequentemente, branqueado através de uma rede de empresas, a maioria delas com sede no estrangeiro.