Mundo

Análise

Suspeitas de corrupção: "Acima de tudo, está em causa a credibilidade do próprio Presidente Zelensky"

Pedro Cordeiro analisa os recentes desenvolvimentos na investigação do caso de corrupção que envolve a empresa estatal de energia ucraniana, Energoatom. "Num momento em que há tanto em jogo para o país, isto é a última coisa de que Zelensky precisava", realça o editor de Internacional do Expresso.

Loading...

A investigação que levou ao afastamento de várias figuras ligadas ao Governo ucraniano está a colocar nova pressão política sobre Volodymyr Zelensky, num momento em que o país depende do apoio externo e enfrenta negociações decisivas. As buscas à casa de Andriy Yermak, chefe de gabinete de Zelensky, e as suspeitas que envolvem responsáveis do setor energético ucraniano reacendem dúvidas sobre a solidez interna do Governo e ameaçam servir tanto a narrativa russa como os críticos internacionais do apoio à Ucrânia.

"Acima de tudo, está em causa a credibilidade do próprio Presidente Volodymyr Zelensky, uma vez que estamos a falar de pessoas que estão já numa esfera bastante próxima dele, pessoas com altas responsabilidades no Governo ucraniano que se veem envolvidas, claro que ainda estamos numa fase em que é preciso investigar, mas de qualquer maneira os seus nomes estarem envolvidos num escândalo de corrupção é algo que não abona a favor da credibilidade de Zelensky e do seu Governo e, num momento em que há tanto em jogo para o país, isto é a última coisa de que Zelensky precisava", considera Pedro Cordeiro.

Segundo o editor de Internacional do Expresso, o caso atinge um círculo muito próximo do Presidente e fragiliza a credibilidade de Zelensky num momento particularmente sensível. A propaganda russa já está a explorar o episódio para reforçar a ideia de um Governo ucraniano “corrupto”, enquanto em vários países europeus cresce a dificuldade política de justificar sacrifícios adicionais em nome de Kiev.

A turbulência interna poderá ainda ter impacto nas negociações em curso do plano de paz e nos prazos defendidos por Washington e discutidos em Bruxelas para a realização de eleições, assim que a guerra o permita. Para além disso, sublinha Pedro Cordeiro, o escândalo não ajuda o objetivo estratégico da Ucrânia de aderir à União Europeia, num processo onde o combate à corrupção e o reforço do Estado de Direito são condições essenciais.