A proibição de redes sociais para menores de 16 anos entrou em vigor na Austrália. É o primeiro país em todo o mundo a implementar uma lei assim. Pais e comunidade médica aplaudem a decisão do Estado. As redes sociais protestaram, mas acataram.
“Talvez chore, porque vou perder o contacto com os meus amigos. Aqueles com quem conversava e convivia”, desabafa um adolescente australiano, que é o exemplo de muitos outros. Aos 14 anos, passa o tempo livre isolado, em casa, absorvido nas oito plataformas digitais que tem.
“Ele não faz uma refeição completa”, nota a mãe.
Os sintomas preocuparam os pais. Está, por isso, a ser acompanhado, numa clínica especializada em perturbação resultante da sobre-exposição ao mundo digital.
Alguns jovens fecham-se e recusam-se a ir à escola; outros atacam os pais quando limites são impostos. Quanto mais novo se é, mais suscetível se está ao algoritmo viciante e formatador. E mais alheado se pode ficar da vida real.
Aos 29 anos, Gabriel diz estar agora melhor, mas os efeitos do vício do ecrã ainda são sentidos.
“Dos videojogos, de usar a plataforma online como ferramenta social, como substituto da socialização real. Ainda tenho problemas com isso hoje em dia”, admite.
Há dias que as redes sociais na Austrália têm estado a avisar os utilizadores da nova proibição, cuja aplicação concreta será fiscalizada pelo Estado.
Críticos da decisão queixam-se de censura e de violação do acesso à informação. No sector da tecnologia, há receio de que esta primeira proibição, na Austrália, venha a alastrar-se a outros países.