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Violência armada "é uma epidemia": duas estudantes de Brown já tinham passado por tiroteios na escola

Mia Tretta foi baleada no abdómen, num ataque na escola secundária em 2019. Seis anos depois, ainda tem fragmentos de bala no estômago. Zoe Weissman testemunhou um tiroteio na escola, há sete anos, onde morreram 17 pessoas. As duas jovem estavam, este sábado, no campus universitário de Brown no momento do ataque.

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Pelo menos duas estudantes da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, já tinham passado por outros ataques em massa, na escola secundária. Uma delas foi baleada no primeiro tiroteio.

Mia Tretta e Zoe Weissman, ambas com cerca de 20 anos, estavam nas imediações do edifício onde um homem armado abriu fogo, matando duas pessoas. As duas jovens já tinham vivido um tiroteio antes, o que as levou a tornarem-se ativistas.

Mia Tretta foi baleada em 2019

Mia Tretta, de 21 anos, estava na residência universitária a estudar para os exames finais quando aconteceu o ataque de sábado, de acordo com a BBC. Tinha pensado estudar no edifício onde ocorreu o tiroteio, mas mudou de ideias porque estava cansada.

A aluna que frequenta o terceiro ano da licenciatura ficou transtornada ao saber que um homem disparou no campus e que estava a monte. Estava a reviver um pesadelo.

A jovem foi baleada no abdómen num massacre, em 2019, na escola secundária de Saugus, na cidade de Santa Clarita, na California. A bala atingiu-lhe o estômago, onde, seis anos depois, ainda tem fragmentos. Na altura, esteve internada mais de uma semana e, desde aí, já fez várias cirurgias.

Duas pessoas morreram nesse ataque armado, uma delas a sua melhor amiga, e mais duas ficaram feridas.

"Quando acontece, uma pessoa presume, ou lhe dizem, que nunca mais acontecerá. Obviamente não é esse o caso", declarou, de acordo com a NBC News.

Depois do tiroteio na escola secundária, Mia Tretta discursou na Casa Branca e elogiou o então Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, por tentar lutar contra a violência armada.

A jovem pensou que estudar na Universidade de Brown, em Rhode Island, do outro lado do país, a afastaria dos traumas e a faria sentir segura.

"A violência armada não se importa se já foste baleado antes nem em que comunidade estás. É uma epidemia que afeta todas as comunidades", afirmou à BBC.

Zoe Weissman testemunhou tiroteio onde morreram 17 pessoas

Zoe Weissman, de 20 anos, também já tinha passado pelo terror de um ataque armado, em 2018. Frequentava a escola adjacente à escola secundária Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, na Flórida, onde um ex-aluno abriu fogo e matou 17 pessoas.

Sete anos depois e à semelhança de Mia Tretta, estava no seu dormitório quando uma amiga a avisou que havia jovens a fugir do que provavelmente seria um tiroteio. À NBC News, a estudante de medicina conta que ficou em pânico e, posteriormente, anestesiada.

"Nunca mais fui a mesma pessoa que era naquele dia. E presume que não será diferente para os alunos de Brown", refere Zoe Weissman.

No tiroteio de sábado, duas pessoas morreram e nove ficaram feridas. Um homem abriu fogo num edifício onde decorriam exames finais. Após os disparos, terá fugido a pé, vestido de preto.

De acordo com o Gun Violence Archive, só em 2025, ocorreram 389 ataques armados em massa nos Estados Unidos.