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Pentágono investiga comando responsável por operações dos EUA na Venezuela

O Pentágono quer apurar o que esteve na origem da quase colisão entre um avião comercial e um avião militar norte-americano. Nas comunicações da torre de controlo, agora divulgadas, é possível ouvir o piloto do avião comercial a denunciar a situação.

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O Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América (EUA) ordenou uma investigação ao Comando Sul norte-americano, que está responsável pelas operações ao largo da Venezuela.

O Pentágono quer saber o que esteve na origem de uma quase colisão entre um avião comercial que tinha partido da ilha de Curaçau e um avião militar dos Estados Unidos. As comunicações com a torre de controlo foram divulgadas nas últimas horas.

“Quase tivemos uma colisão em pleno ar, aqui em cima”, ouve-se o piloto do avião comercial a denunciar, nas comunicações com a torre de controlo.

“Passaram diretamente na nossa rota de voo. Tivemos de parar a nossa subida. Eles não aparecem no radar. Não têm o identificador ligado. É escandaloso”, relata o piloto.

Na gravação, escuta-se ainda o controlador aéreo a responder às queixas do piloto admitindo que têm sido vistos “muitos aviões não identificados” no espaço aéreo. “Tem toda a razão”, afirma, concordando com o piloto do voo comercial.

O Comando Sul dos Estados Unidos, localizado em Doral, na Flórida, é um dos onze comandos de combate unificados do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. É responsável pelo planeamento de contingência, operações, e cooperação de segurança na América Central e do Sul, assim como nas Caraíbas, e nas suas águas territoriais, servindo também como proteção aos recursos militares dos EUA nessas zonas.

Desde setembro que os Estados Unidos levam a cabo dezenas de ataques naquela área, sob o pretexto de combater o tráfico de drogas. Mais de 90 pessoas já terão morrido nestes ataques, tendo as Nações Unidas já questionado a legalidade dessas operações.

O presidente norte-americano, Donald Trump, acusa, em particular, o líder venezuelano, Nicolás Maduro, de encabeçar uma rede de narcotráfico, e anunciou planos para derrubá-lo do poder e apoderar-se do petróleo do país.