Brigitte Macron está a ser alvo de uma queixa judicial apresentada por centenas de mulheres e por várias organizações de defesa dos direitos das mulheres, depois de ter utilizado uma expressão considerada ofensiva para se referir a manifestantes feministas durante um espetáculo no teatro Folies Bergère, em Paris.
O momento foi captado em vídeo no passado dia 7 de dezembro e no qual a primeira-dama francesa, esposa do Presidente Emmanuel Macron, se refere a um grupo de manifestantes como “cabras nojentas”.
Nas imagens, Brigitte Macron é vista a conversar com o ator e comediante francês Ary Abittan sobre os protestos que tinham ocorrido na noite anterior, durante a exibição da peça, quando várias manifestantes gritaram “violador” dirigindo-se ao ator. Abittan já foi acusado de violação, tendo o processo sido arquivado em 2023.
"Se houver alguma cabra nojenta, nós expulsamo-la”, afirmou a primeira-dama.
O grupo de manifestantes em causa é o Nous Toutes (“Todas Nós”), que interrompeu o espetáculo de Ary Abittan para protestar contra o arquivamento do caso e o que qualificam de “cultura da impunidade” relativamente à violência sexual em França.
No total, 343 mulheres apresentaram queixa contra Brigitte Macron por “insulto público”. Muitas pertencem a grupos feministas, como, por exemplo, o Les Tricoteuses Hystériques, de acordo com o The Guardian.
Primeira-dama francesa já se pronunciou
Numa entrevista recente ao meio de comunicação digital francês Brut, Brigitte Macron pediu desculpa pelas declarações, afirmando: “Lamento se magoei mulheres vítimas.”
Ainda assim, acrescentou que não se arrepende das palavras ditas. A primeira-dama francesa sublinhou que, apesar de ser a esposa do Presidente da República, é, acima de tudo, uma pessoa individual, explicando que, em contexto privado, pode permitir-se comportamentos ou comentários que nem sempre são totalmente adequados.
