Um vídeo divulgado nas redes sociais no sábado mostra vários corpos numa morgue junto ao Centro de Medicina Legal de Kahrizak, perto da capital iraniana, após uma repressão sangrenta às manifestações das últimas semanas. Segundo os ativistas, os protestos no país já fizeram perto de 600 mortos.
A agência Reuters conseguiu confirmar o local das imagens com base na estrutura do edifício, nas janelas e no desenho das paredes, cruzando esses elementos com imagens de satélite e outros registos visuais da zona. No entanto, não foi possível verificar de forma independente a data exata em que o vídeo foi gravado.
Segundo a organização Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos, já terão morrido pelo menos 572 pessoas desde o início dos protestos, incluindo 503 manifestantes e 69 membros das forças de segurança. A mesma fonte indica que mais de 10.600 pessoas foram detidas. Estes números não puderam ser confirmados de forma independente, dado que a informação a partir do Irão está fortemente limitado.
O país vive o quarto dia consecutivo de bloqueio à internet, imposto pelas autoridades para travar a contestação ao regime. Apesar de os cidadãos já conseguirem fazer chamadas telefónicas para o estrangeiro, as redes sociais continuam inacessíveis.
Os protestos começaram a 28 de dezembro, motivados por dificuldades económicas, e evoluíram rapidamente para apelos diretos à queda do regime.
