O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu esta quinta-feira ser "claramente tempo para as Nações Unidas, e para as principais potências do mundo, ter uma mulher" na liderança.
Questionado pela agência Lusa sobre se considera um fracasso da ONU se o próximo secretário-geral eleito não for uma mulher, Guterres afirmou que, apesar de não ter poder de voto na matéria, é tempo de ver mulheres nos cargos de maior poder no mundo.
"Eu penso que é claramente tempo para as Nações Unidas, como para as principais potências do mundo, ter uma mulher à sua frente. Não tenho dúvidas nenhumas a esse respeito. Agora não me compete a mim fazer a escolha, fazer a decisão, não sou eu que voto, portanto, digamos a minha opinião é irrelevante", indicou, numa conferência de imprensa em Nova Iorque.
O antigo primeiro-ministro português expressou "muito orgulho" no facto de a ONU ter alcançado a paridade de género "ao nível dos altos quadros" da organização, mas defendeu que muito mais deve ser feito.
"Mas, se olharmos as posições de maior responsabilidade a nível mundial, (...) a verdade é que, quer nas Nações Unidas, quer nas posições de liderança dos países mais poderosos do mundo, é tempo de ver mulheres [no poder]", insistiu.
Os Estados-membros da ONU vão escolher este ano o sucessor de António Guterres na chefia da organização multilateral, que, nos seus 80 anos de existência, nunca teve uma liderança feminina.
Embora alguns Estados-membros defendam claramente que uma mulher deverá ser finalmente escolhida para o cargo, essa ideia não é unânime.
Vários candidatos já são conhecidos informalmente, incluindo a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, o diretor da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, e a costa-riquenha Rebeca Grynspan, atualmente à frente da agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD).
Seguindo uma tradição de rotação geográfica nem sempre respeitada, a posição é desta vez reivindicada pela América Latina.
É apenas por recomendação do Conselho de Segurança da ONU que a Assembleia-Geral pode eleger o secretário-geral para um mandato de cinco anos, renovável por mais um mandato.
António Guterres assumiu a liderança da ONU em janeiro de 2017, tendo sido reconduzido para um segundo mandato, que termina no final de 2026.
