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Japão extrai com sucesso terras raras do fundo do Oceano Pacífico

A operação faz parte de uma estratégia para reduzir a dependência do Japão face à China, que controla 92% da produção refinada mundial destes elementos essenciais para diversos setores económicos. 

Japão extrai com sucesso terras raras do fundo do Oceano Pacífico
Yuka Obayashi

Um grupo de investigadores japoneses extraiu elementos de terras raras de um depósito marinho junto à ilha Minami Torishima, no oceano Pacífico, a dois mil quilómetros a sul de Tóquio, confirmou o ministro da Educação e Ciência.

"A Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha-Terrestre (JAMSTEC), sob a jurisdição do Ministério da Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia, recuperou com sucesso lama rica em terras raras a uma profundidade de seis mil metros, utilizando o navio de investigação Chikyu", escreveu o ministro Yohei Matsumoto, na rede social X, no domingo.

Matsumoto afirmou que a JAMSTEC divulgará mais detalhes sobre a operação em comunicado na terça-feira.

O navio de investigação Chikyu iniciou em 12 de janeiro uma missão inédita com o objetivo de extrair terras raras das águas profundas junto a Minami Torishima, uma ilha desabitada, visando reduzir a dependência económica do país face à China.

A missão do navio de perfuração científica em águas profundas deverá durar até 14 de fevereiro.

O teste ocorre num momento em que a China, de longe o maior fornecedor mundial de terras raras, aumenta a pressão sobre o país vizinho.

A viagem do Chikyu pode levar à produção nacional de terras raras, afirmou em 12 de janeiro o diretor de programas do gabinete do primeiro-ministro japonês, Shoichi Ishii.

"Estamos a considerar diversificar as nossas fontes de abastecimento e evitar uma dependência excessiva de determinados países", afirmou aos jornalistas.

Estima-se que a zona em torno de Minami Torishima contenha mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, o que a tornaria, segundo o jornal económico Nikkei, a terceira maior jazida do mundo.

As "terras raras", 17 elementos metálicos não particularmente raros, mas difíceis e caros de extrair, são essenciais para setores inteiros da economia - automóvel, energias renováveis, digital, defesa - servindo para a fabricação de ímanes potentes, catalisadores e componentes eletrónicos.

A China representa quase dois terços da produção mineira mundial de terras raras e 92% da produção refinada, de acordo com a Agência Internacional de Energia.

O país usa há muito tempo como alavanca geopolítica o seu domínio na área, inclusive na guerra comercial com os Estados Unidos.

O Japão depende da China para 70% das importações de terras raras, apesar de ter-se esforçado para diversificar as fontes de abastecimento desde um conflito anterior em 2010, durante o qual Pequim suspendeu as exportações por vários meses.

Taiwan e crise diplomática

Tóquio e Pequim atravessam uma crise diplomática, desencadeada por declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que admitiu uma reação militar em caso de um ataque chinês a Taiwan, cuja soberania é reivindicada por Pequim.

Sinal do agravamento das tensões bilaterais, Pequim anunciou no início de janeiro que iria reforçar os controlos sobre a exportação para o Japão de bens chineses de dupla utilização civil e militar, o que pode incluir os metais raros.