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"Mundo vai ficar mais perigoso", Kremlin alerta para fim do acordo de desarmamento nuclear com os EUA

Com o START III prestes a expirar, Moscovo considera que a inexistência de um quadro jurídico que regule os maiores arsenais nucleares do planeta agravará a instabilidade e dificultará futuros entendimentos entre as duas potências.

Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin
Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin
Ramil Sitdikov/ Reuters

O Kremlin alertou hoje para o termo do acordo de desarmamento nuclear com os Estados Unidos da América, START III, na quarta-feira, considerando que "o Mundo vai ficar mais perigoso" sem um tratado semelhante.

"Daqui a dias, o Mundo vai ficar mais perigoso do que antes. Pela primeira vez, a Rússia e os EUA, que possuem os maiores arsenais nucleares, vão ficar sem um documento fundamental, que limite e controle esses arsenais", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em conferência de imprensa.

Peskov já tinha previsto na passada semana que a assinatura de um novo tratado será um processo "longo e difícil", acrescentando que Moscovo aguarda resposta de Washington a uma proposta apresentada pelo presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, ao seu homólogo norte-americano, Donald Trump.

Na segunda-feira, o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitri Medvedev, tinha lembrado as autoridades dos EUA de que a proposta de prolongar o entendimento atual por um ano continua em cima da mesa.

Em 2010, Putin e o então presidente norte-americano, Barack Obama, assinaram o START III, em Praga, e Medvedev alertou para a necessidade de Washington estar "verdadeiramente disposto - não apenas por palavras, mas na prática" a respeitar os interesses fundamentais de segurança da Rússia.

A Rússia suspendeu a aplicação do tratado, embora não o tenha denunciado formalmente, a 21 de fevereiro de 2023, após o que os peritos ocidentais não puderam inspecionar as instalações russas.

O tratado limita o número de armas nucleares estratégicas, com um máximo de 1.550 ogivas nucleares e 700 sistemas de mísseis balísticos terrestres, marítimos ou aéreos para cada uma das duas potências.