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Megaoperação no Rio de Janeiro: Guterres "profundamente preocupado" pede investigação imediata

No 'briefing' diário à imprensa, o porta-voz de Guterres frisou que o uso da força em operações policiais deve respeitar as leis e normas internacionais de direitos humanos.

Megaoperação no Rio de Janeiro: Guterres "profundamente preocupado" pede investigação imediata
Ricardo Moraes/REUTERS

O secretário-geral da ONU, António Guterres, está "profundamente preocupado" com o elevado número de vítimas durante a megaoperação policial no Rio de Janeiro e instou as autoridades a conduzirem uma investigação imediata.

No 'briefing' diário à imprensa, o porta-voz de Guterres frisou que o uso da força em operações policiais deve respeitar as leis e normas internacionais de direitos humanos.

"O secretário-geral está profundamente preocupado com o grande número de vítimas durante uma operação policial realizada ontem [terça-feira] no Rio de Janeiro", disse Stéphane Dujarric.
"O secretário-geral salienta que o uso da força em operações policiais deve respeitar as leis e normas internacionais de direitos humanos e insta as autoridades a conduzirem uma investigação imediata", concluiu.

Cerca de 2.500 polícias realizaram, na terça-feira, uma megaoperação nas comunidades que compõem os complexos de favelas da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, destinada a prender os líderes da organização criminosa Comando Vermelho.

O último balanço oficial dá conta de 121 mortos, incluindo quatro polícias, e 113 detidos. É já considerada a operação mais policial de sempre no Rio de Janeiro.

Organizações não-governamentais e o próprio Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) já vieram criticar a brutalidade da operação.

Cerca de 30 organizações de defesa dos direitos humanos assinaram um comunicado afirmando que a segurança no Rio de Janeiro "não se conquista com sangue" e que a operação, além de expor "o fracasso e a violência estrutural da política de segurança", coloca a cidade "num estado de terror".

O ministro da Justiça do Brasil, Ricardo Lewandowski, afirmou que o chefe de Estado, Lula da Silva, ficou "estarrecido" com o número de mortos da megaoperação e que "se mostrou surpreso que uma operação desta envergadura fosse desencadeada sem conhecimento do Governo federal, sem nenhuma possibilidade de o Governo federal participar de alguma forma".

O Comando Vermelho dedica-se principalmente ao tráfico de drogas e de armas, e o seu centro de operações situa-se no estado do Rio de Janeiro, onde controla algumas comunidades da cidade, embora tenha presença em grande parte do país, especialmente na região da Amazónia.

A organização nasceu na década de 1980, quando a ditadura militar concentrou nas mesmas prisões delinquentes comuns e membros de grupos de guerrilha com formação política e até militar.

Com Lusa