Brasil

Bolsonaro tentou romper pulseira eletrónica e tinha "elevado risco de fuga"

A prisão preventiva terá sido motivada por uma ação de Flávio Bolsonaro, senador e filho do antigo Presidente, que convocou uma vigília em frente à casa do pai. O juiz Alexandre de Moraes diz que Jair Bolsonaro tentou retirar a tornozeleira eletrónica e havia “elevado risco de fuga”.

Bolsonaro tentou romper pulseira eletrónica e tinha "elevado risco de fuga"
MATEUS BONOMI/Reuters

Jair Bolsonaro foi detido preventivamente este sábado, segundo o portal g1, da Globo. De acordo com as informações iniciais, não se trata do cumprimento de pena, mas de uma medida cautelar.

O antigo Presidente do Brasil foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, onde ficará numa sala reservada para chefes de Estado e outras altas figuras públicas. A detenção aconteceu por volta das 6h00 no Brasil (9h00 em Portugal continental).

A prisão preventiva terá sido motivada por uma ação de Flávio Bolsonaro, senador e filho do antigo Presidente, que convocou uma vigília em frente à casa do pai. Segundo o g1, a Polícia Federal considera que o ato representava um risco para participantes e agentes policiais.

A ordem foi tomada pelo juiz Alexandre de Moraes, que apontou ainda para o risco de fuga de Jair Bolsonaro, através de eventual "tentativa de utilização de apoiantes” para “obstruir a fiscalização das medidas cautelares e da prisão domiciliar”.

O também ministro refere que, embora a ação tenha sido apresentada como uma vigília pela saúde de Bolsonaro, "a conduta indica a repetição do modus operandi da organização criminosa liderada pelo referido réu", com o uso de manifestações para obter "vantagens pessoais" e "causar tumulto".

Segundo o juiz do Supremo Tribunal Federal, o Centro de Monitorização Integrada do Distrito Federal comunicou ao STF a tentativa de violação da pulseira eletrónica na madrugada deste sábado.

A condenação de Bolsonaro

Jair Bolsonaro estava em prisão domiciliária desde 4 de agosto, após ter sido condenado a 27 anos e três meses de prisão, juntamente com sete dos seus colaboradores mais próximos, entre antigos ministros e altos oficiais militares, por "liderar uma conspiração golpista" para reverter a sua derrota eleitoral em 2022 e "manter-se no poder".

No dia 11 de setembro, quatro dos cinco juízes da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal formaram maioria para condenar o antigo Presidente brasileiro. Defendem que o golpe de Estado só terá fracassado devido à recusa dos comandantes do Exército e da Força Aérea, quando os acusados já tinham tudo pronto para decretar um estado de exceção, intervir na Justiça Eleitoral e manter-se no poder.