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Entrevista SIC Notícias

Português suspeito do homicídio do físico Nuno Loureiro: "Tudo indicia um rancor de longa data"

Cláudio Valente será responsável pela morte de Nuno Loureiro, também português e professor no MIT, em Brookline. Suspeita-se que seja também autor dos disparos na Universidade Brown que mataram duas pessoas. O suspeito de dois casos recentes de homicídio nos EUA é português e foi encontrado morto. Bruno Soares Gonçalves, investigador que lidou de perto Nuno Loureiro, não encontra "qualquer ligação entre os dois casos”.

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Bruno Soares Gonçalves, investigador no Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear, recorda o percurso científico de Nuno Loureiro, o impacto que teve na investigação em fusão nuclear e a marca deixada como professor, colega e mentor, afastando qualquer indício de conflito ou comportamento fora do normal.

Questionado sobre a eventual ligação entre a morte de Nuno Loureiro e o tiroteio na Universidade Brown, ambos atribuídos a Cláudio Valente, Bruno Soares Gonçalves foi claro: “Não compreendo, é muito difícil compreender essa associação”.

O investigador explica que, apesar de existirem referências a alunos do mesmo instituto e de um período académico coincidente, nada aponta para uma relação direta entre os dois casos.

“Tudo indicia algo como um rancor de longa data ou algo do género, mas não há informação que permita estabelecer essa ligação”, afirma, sublinhando que apenas a investigação em curso poderá clarificar os factos.

Bruno Soares Gonçalves refere que desconhece qualquer ligação académica ou científica de Nuno Loureiro à Universidade Brown. “Pelo que pude observar do programa da universidade, não existem atividades na área da fusão nuclear que coincidam com o trabalho que ele desenvolvia”, explica, em entrevista à SIC Notícias.

Admite, no entanto, que em contexto académico é comum existirem colaborações entre universidades norte-americanas, ainda que, neste caso concreto, não exista qualquer parceria evidente que justifique uma ligação direta.

Um percurso marcado pela ciência e pela liderança

Nuno Loureiro integrou durante vários anos a unidade de investigação do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear, tendo sido responsável pelo grupo de teoria e modelização e membro do conselho de administração. “Foi um período de grande proximidade, com muitas discussões científicas, estratégicas e académicas”, recorda Bruno Soares Gonçalves.

Mesmo depois de sair de Portugal, manteve uma relação próxima com o instituto, promovendo a mobilidade de estudantes e incentivando oportunidades de investigação nos Estados Unidos. “Muitos de nós acalentavam a esperança de que um dia pudesse regressar”, admite.

“Era o Nuno de sempre”

Segundo o investigador, nada no comportamento recente de Nuno Loureiro fazia prever um desfecho trágico. Colegas que estiveram com ele em conferências nas últimas semanas descrevem-no como sempre: focado, bem-disposto e dedicado à ciência e à família.

“Falava-se de Portugal, do vinho, da arte, de ser pai. Nada indicava que um evento violento pudesse sequer fazer parte das suas preocupações”, sublinha.

Exigente, brilhante e próximo dos alunos

Bruno Soares Gonçalves destaca ainda o perfil humano e académico de Nuno Loureiro: rigoroso, exigente e profundamente dedicado aos desafios científicos mais complexos. “Era o estereótipo do físico teórico, escrevia equações no quadro e tirava-as da cabeça”, conta.

Muito apreciado pelos alunos, mantinha uma relação de proximidade e incentivo, ajudando cada um a encontrar “a sua voz científica”. “Era exigente, mas dava espaço para que cada pessoa brilhasse. Isso fazia dele um professor e mentor excecional.”