O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos proibiu a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA, na sigla em inglês) de usar a palavra "ice" (gelo) nos avisos rodoviários.
O país está a ser assolado por uma tempestade de gelo e neve que deixou mais de um milhão de casas sem eletricidade e já provocou mortes por hipotermia.
Como tal, era de esperar que os avisos nas estrada alertassem as pessoas para a existência de acumulação de gelo. Mas dado as últimas operações que envolvem agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos), o departamento de Segurança Interna decidiu proibir o uso da palavra "ice" nos avisos.
Os funcionários do departamento de Segurança Interna temem que certas expressões como "cuidado com o gelo" possam ser mal interpretadas ou transformadas em piadas na internet, especialmente porque as operações do ICE continuam a ser um ponto de discórdia em cidades como Minneapolis.
"Se a FEMA disser: 'Fique longe das estradas se vir gelo', será fácil para o público criar memes sobre isso", disse uma fonte à CNN.
Os funcionários da Agência Federal de Gestão de Emergências foram aconselhados a usar termos como "chuva gelada", tal como pode ser visto numa publicação na rede social X, este domingo.
Dois mortos e vários menores detidos pelo ICE
No espaço de três semanas, dois cidadãos norte-americanos foram mortos e vários menores foram detidos por agentes do ICE.
No sábado, agentes da polícia anti-imigração mataram a tiro Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, um enfermeiro de cuidados intensivos da Administração de Veteranos, nascido no Illinois e residente no Minnesota.
Alex Pretti não tinha antecedentes criminais e, segundo a família, nunca tinha tido contactos relevantes com a polícia, para além de algumas multas de trânsito.
Foi o segundo cidadão norte-americano morto a tiro por agentes do ICE em menos de três semanas na cidade, depois de, a 7 de janeiro, Renee Good, também de 37 anos, mãe de três filhos, ter sido baleada mortalmente enquanto conduzia o seu veículo.
O governo de Trump acusou Renee Good de “terrorismo interno”, embora a família tenha negado qualquer envolvimento em atividades criminosas. Tal como no caso de Alex Pretti, a morte gerou forte indignação pública e protestos contra a presença do ICE em Minneapolis, que se intensificaram nas últimas semanas.
