A candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, apresentada pelos Ministérios italianos da Agricultura e da Cultura, recebeu uma avaliação preliminar favorável, o que permitiu que a gastronomia italiana seguisse para a fase final do processo. Itália aguarda com otimismo a decisão que poderá consagrar oficialmente um dos maiores símbolos da identidade do país. O anúncio está previsto para esta quarta-feira, na reunião do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, que decorre em Nova Deli, na Índia.
A proposta foi lançada em março de 2023 e assenta na ideia de que a culinária italiana é muito mais do que um conjunto de receitas: é um elemento central da vida social, familiar e cultural. Do quotidiano às grandes celebrações, a cozinha italiana é apresentada como um património vivo que atravessa gerações.
O Governo de Roma sublinha que não existe uma única culinária italiana, mas sim "um mosaico de diversidades expressivas locais", fruto da geografia, da história e das tradições próprias de cada região.
Exemplos não faltam: do "ossobuco" da Lombardia, no Norte, às "orecchiette con cime di rapa" da Apúlia, no Sul, passando pelas inúmeras variantes de massas, risotos, pizas e doces emblemáticos como o tiramisu, cada especialidade reflete a criatividade e a biodiversidade do país.
Símbolo de "cultura, identidade, tradição e força"
A iniciativa tem sido amplamente apoiada pela primeira-ministra Giorgia Meloni, que considera a gastronomia italiana um símbolo de "cultura, identidade, tradição e força", destacando a sua importância económica, social e internacional.
A integrar a lista da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a cozinha italiana juntar-se-á a outras tradições culinárias já reconhecidas, como a alta cozinha festiva francesa, as refeições cerimoniais mexicanas, a técnica de fermentação do kimchi na Coreia ou o Washoku, a dieta tradicional japonesa.
Independentemente do desfecho, a candidatura italiana já reforçou a valorização global de uma das cozinhas mais influentes do mundo, cuja reputação ultrapassa fronteiras e continua a evoluir sem perder o seu caráter profundamente regional e comunitário.
