Opinião

Porque é que a «DIREITA» não consegue criar um partido novo?

Leia aqui o artigo de opinião de Pedro Cruz.

Ramalho Eanes foi o primeiro a tentar.

Era, ainda, presidente e de Belém mandou fazer o PRD.

De direita ou de esquerda?

A questão começa logo assim.

O PRD era para «renovar» a democracia, que tinha ainda poucos anos, mas o militar já entendia, da experiência em Belém, que os partidos precisavam de ser renovados.

O povo deu-lhe razão e 40 deputados, um resultado estontenate e uma estreia em grande no Parlamento.

A «renovação» acabaria dois anos depois, com uma moção de censura a Cavaco minoritário e a primeira maioria absoluta da história do pós 25 de Abril.

O PRD foi levado pela água da chuva.

Desapareceu e a morte foi lenta, agonizante e penosa.

Não renovou nada.

Não era «de esquerda nem de direita».

Não tinha objecto. Não tinha solidez ideológica ou, sequer, um posicionamento claro.

Andava ali.

Manuel Monteiro achou, ao deixar o CDS, que as suas ideias valiam mais que as de Portas e que o PP já não era o CDS.

Fundou o Partido da Nova Democracia.

Para «renovar» os partidos e abrir espaço a independentes e a não alinhados, gente com vontade de participar na «nova» política.

Mas era de esquerda ou de direita?

Não era de esquerda, mas também não era de direita, era «de centro», conservador mas não muito, popularucho quanto baste, de discurso fácil, quase demagógico.

Tinha coisas do «velho» CDS, algumas do PP, outras dos liberais, cabiam lá todos, franjas do PSD e do CDS que andavam despeitadas pelas lideranças de então.

Mas e a ideologia?

Era uma coisa assim assim, issso das ideologias interessa pouco, é mas é para cumprir as promessas feitas, e por aí fora.

O PND foi sempre o partido de um homem só. Demasiado só.

Muitos viam-no em campanha e diziam-lhe, anos depois de já ter saído do CDS:

-«Vou votar em si, no CDS».

Monteiro nunca ultrapassou a colagem ao antigo partido.

O PND acabou sem ter deixado rasto, memória, eleitos e eleitores.

Santana Lopes aos 62 anos, quer «renovar».

Curiosa teimosia esta de querer «renovar».

O tempo e os eleitores - sempre eles, e ainda bem - dirão se a Aliança vai ter força, «chegar aos dois dígitos», afirmar-se e ser «mais uma» alternativa à direita.

Tem, pelo menos, um mérito: é de direita, sem complexos de assumir a palavra, que ao tempo do PRD ainda cheirava a ditadura e ao tempo do PND a passado demasiado recente.

Em Portugal, a «direita» tem complexos, porque ainda há memória, muita e bem viva, dos anos de bafio de Salazar e Caetano.

Por toda a Europa, há novos partidos e movimentos à direita, que nascem, ganham força, governam ou influenciam governos.

Em Portugal, a «não esquerda», como dizia Maria José Nogueira Pinto, tem vergonha.

O PSD é de centro esquerda, o CDS é liberal, e conservador, «de centro» e, às vezes, «da direita».

Talvez se a direita se transformar em «não esquerda» consiga fazer vingar um partido novo qualquer.

Será com Santana?

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