Lourenço Medeiros

Opinião

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Editor de Novas Tecnologias

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Uma Summit mais madura, uma app à altura e rede de qualidade

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Lourenço Medeiros traz os principais destaques da Web Summit.

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É verdade que, como escreveram alguns, o clima, sobretudo no palco principal e no exterior, foi mais frio que o habitual. Logo no início tivemos um dia chuvoso e um discurso sombrio e nada animador de Edward Snowden. Vi mesmo alguns dos participantes considerarem um erro de casting trazer para a Web Summit discursos como os de Snowden e de Brittany Kaiser, ex-conspiradora da Cambridge Analítica convertida em defensora profissional da nossa privacidade. Discordo, mesmo quando o clima foi agravado com os discursos muito pouco abonatórios para as grandes empresas da era digital de Tony Blair ou Margrethe Vestager, só para citar dois dos muitos.

Patty Cosgrave tem razão: o debate das ideias é fundamental e, se a Web Summit ainda aspira a ser qualquer coisas de sério, não pode ser apenas um grande circo da especulação financeira em volta das próximas startups de sucesso. Se é para ser um evento importante na economia digital, tem que ter debate sobre o bem e o mal e tudo o que está no meio. Não basta trazer fantoches mais ou menos telecomandados, é necessário discutir a sério o que queremos fazer com as redes sociais, com os nossos dados, com a inteligência artificial e com a capacidade de aprendizagem das máquinas. Desta vez falou-se de todas estas coisas na Web Summit, se isso lhe deu um tom mais frio, menos circense, paciência, a vida não é só feita de cores garridas. Foi um sinal de maturidade.

Mapas em realidade aumentada, horários, contactos, chats, descontos em táxis e cursos superiores. A aplicação da Web Summit tem de tudo

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Numa nota muito mais prática, um assistente distraído estranharia ver alguns dos presentes na plateia do Altice Arena com auscultadores, normalmente sem fios, enquanto olhavam para o palco. Dir-se-ia que estavam de olhar perdido enquanto ouviam a sua playlist favorita. Nada disso. Este ano a aplicação que todos os participantes usam fornecia tradução simultânea e em cinco línguas no palco principal. Bastava usar o próprio telemóvel, a app e auscultadores para ter tradução. Das vezes que experimentei foi bastante eficaz. Confesso-me impotente para avaliar a qualidade da tradução para mandarim, vamos acreditar que era eficaz, pelo menos.

Esta era uma das novidades, a aplicação tem melhorado a olhos vistos de ano para ano e é francamente útil. Permite que qualquer participante comunique com qualquer outro desde que o tal outro assim o autorize; tem os horários dos acontecimentos apresentados de forma simples e eficaz. Muita informação numa plataforma sóbria e eficiente, que não se torna invasiva ao contrário de outras que conheço de eventos internacionais.

Já tinha dado este texto por acabado quando me chegaram os números oficiais da Altice sobre as comunicações. Se bem se lembram, em edições anteriores houve grande polémica quanto às condições das comunicações para os participantes,com a organização a exigir níveis de qualidade inigualáveis em qualquer evento internacional desta dimensão, pelo menos na minha experiência.

Os números deste ano, na versão da empresa são estes:

· +12,6 Milhões de sessões únicas estabelecidas em todas as redes (mais 30% que em 2018)

· 9,5 milhões de sessões únicas apenas na rede Wi-Fi (mais 40% que em 2018)

· 68.483 dispositivos únicos ligados (mais 20% que em 2018)

· 92 TBytes de tráfego de dados (mais 5% que em 2018)

O facto é que já estive em muitas feiras e eventos de grande dimensão em todo o mundo. Nas últimas edições da Web Summit já foram conseguidas condições que eu poderia considerar boas e nunca como este ano vi um evento em que ninguém se queixasse do wi-fi. A rede pura e simplesmente estava lá. No Altice Arena propriamente dito, com milhares de pessoas a assistir ao palco principal e a partilhar o que viam, muitas a usar tradução simultânea nos próprios telemóveis. Consegui velocidades francamente impressionantes em testes. Foi uma não questão que deve ter dado muito trabalho a conseguir.

Tecnologia, quando é bem conseguida, deve funcionar assim: nem damos por ela.