Opinião

Avante com esse parecer

(Arquivo)

MÁRIO CRUZ

«A festa» vai Avante!, como o PCP sempre quis. Falta, a esta hora, conhecer o parecer da Direção-Geral da Saúde.

O tal parecer que Graça Freitas, senhora Diretora-Geral disse que não seria divulgado.

O tal parecer que (supostamente) o PCP é que deveria divulgar, parece que, afinal, o parecer vai aparecer, ainda esta tarde. Divulgado pela DGS.

Parece que talvez Marcelo tenha ligado a António, que ligou a Marta que ligou a Graça para ver se o parecer sempre aparecia e pela via da DGS, porque parece que se há alguém que não tem de divulgar o parecer, é o PCP.

Este é o parecer que não era para divulgar porque a DGS «nunca», repito, nunca, divulga pareceres técnicos - e isto não é ironia, é o que está escrito num comunicado da própria, DGS - vai, afinal, aparecer, para «esclarecer» o que a todos nós, de senso comum, e nada mais, nos parece há muito: «a festa», como dizem os comunistas, vais mesmo acontecer.

Pelo menos é o que parece.

E quando aparecer o parecer, a «festa» lá terá regras próprias para as «diferentes» atividades que o PCP desenvolve na festa: há comícios, palestras, e debates; há comes e bebes e isso já tem outras regras; e, por fim, os concertos, que têm ainda outras normas.

Tudo junto, por junto, acaba por ser um grande ajustamento. Pelo menos é o que parece.

O PCP sempre disse que «a festa» nunca poderia ser posta em causa, porque isso seria travar a luta dos trabalhadores e do povo.

A luta é filha da vida e a vida não se aguenta sem pão (os tais comes e bebes) e festa (os tais concertos).

«Os trabalhadores e o povo» que vão à «festa» estarão seguros.

Pelo menos é o que assegura o PCP, avesso ao que parece e mais concentrado no que é.

Ou, nesta caso, no que vai ser.

Perto da Atalaia, Amora, Seixal, há dezenas de comerciantes que fecharam as portas porque parece que, com ou sem parecer, não estão dispostos a receber «os trabalhadores e o povo» que vai chegar de todo o país para fazer a festa.

Neste caso, nem tudo o que parece, é.

Mas é o que é.

É como é e não como devia ter sido.

Avante!, portanto, com a festa.

Que mal apareça o parecer o PCP garante que tudo o que foi exigido será cumprido, que tudo o que dizem as normas, as leis, as regras e as imposições será feito.

Parecendo que não, talvez a COVID não apareça.

Talvez não esteja interessada na luta «dos trabalhadores e do povo».