As redes sociais são consideradas pela Psicologia como um dos principais inimigos do processo de aceitação e integração da perda da identidade, ou seja, do processo de “seguir em frente”. Segundo a ciência psicológica, satisfazem o desejo de ter contacto com a pessoa perdida, pois os nossos telemóveis permitem-nos transportar no tempo e no espaço para junto da mesma e da sua vida.
Através das plataformas sociais, existem momentos de pseudoconexão que podem ser vividos de forma quase tão real quanto os verdadeiros momentos de contacto com o outro, dado o alívio e bem-estar, a curto prazo, propiciado por eles. Não obstante, a longo-prazo, a tendência a monitorizar (ou a tentar, investindo tempo e disponibilidade emocional) o comportamento do ex-companheiro no digital potencia níveis mais elevados de stress.
No mundo online, o término de uma relação deixa para trás publicações (fotografias e vídeos) e ligações a pessoas associadas ao relacionamento perdido, como o ex-companheiro, a família e os amigos em comum. Os elementos que eram fontes de conexão emocional e digital, no fim da relação, tendem a funcionar como gatilhos para o sofrimento de quem está em luto.
E, por isso, surge a importância de não manter uma amizade nas redes sociais com quem se perdeu.
Existe o risco de a pessoa em luto, enquanto se encontra em casa, a chorar, poder ser surpreendida por uma fotografia do ex-companheiro num momento de lazer e diversão, alimentando, assim, os sentimentos de tristeza, mal-estar e injustiça (“Enquanto eu estou em casa a chorar, ele/a está a viver a vida e a divertir-se”). Outra situação que pode fomentar sentimentos de zanga, injustiça e tristeza da pessoa em luto é ser confrontada por uma publicação do ex-companheiro/a que indique que se encontra numa nova relação amorosa.
No livro “Virar a Página: como lidar com o fim de uma relação, conquistar o seu bem-estar e voltar a encontrar o amor” são destacadas diversas sugestões para a gestão das redes sociais no fim de uma relação.
A título de exemplo, eliminar todas as fotografias com a pessoa perdida das redes sociais. Se a relação terminou, a sua presença deixa de fazer sentido. Frequentemente, é uma forma de evitar uma mensagem indesejada da pessoa perdida a pedir que o faça. É também uma medida para evitar notificações de “memórias” no Instagram ou Facebook com fotografia em casal – de um par que já não existe.
Outra linha orientadora é, perante a ideia de não excluir a pessoa das redes sociais, pode ser importante desligar as notificações sobre a sua respetiva atividade (o que permite, por exemplo, não ver stories que, não raras vezes, informam sobre a vida do outro em tempo real). E, por conseguinte, não enviar printscreens aos amigos de conteúdos da pessoa perdida. Ao fazê-lo é alimentada a tristeza, a zanga e a presença da pessoa na sua vida (dialogar, constantemente, sobre ela não é saudável).
Quando a pessoa em luto não pretende seguir com as sugestões anteriores, enfrenta um enorme desafio em que o autocontrolo é fundamental: gerir o número de vezes em que acede ao perfil do outro nas redes sociais; não verificar constantemente o status do chat; não interpretar informações como gostos em fotografias ou comentários de pessoas (e muito menos visitar o perfil dessas pessoas que desconhece).
Todas as decisões devem ser ponderadas: ganhos e custos/vantagens e desvantagens. No luto não há um tempo certo ou errado. É tão importante não procrastinar quanto é essencial não ser impulsivo.
No entanto, estas pontes digitais alimentam o risco do crime de cyberstalking (enviar mensagens à pessoa perdida, tentativas de chamada telefónica ou comentários em redes sociais em que o outro se sente perseguido pelo seu comportamento) ou de vingança (como riscar o carro da pessoa perdida, pois, através das redes, tivemos conhecimento do sítio onde a pessoa se encontrava).

