Opinião

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Não há vinho canalizado para todos os portugueses, mas os 28 frente-a-frente na TV prometem… e muito

Começa esta segunda-feira a longa série de 28 frente-a-frente televisivos, na SIC, RTP e TVI, que vai opor oito candidatos à sucessão de Marcelo. Gouveia e Melo é o que mais tem a perder… mas isso até o pode beneficiar.

Não há vinho canalizado para todos os portugueses, mas os 28 frente-a-frente na TV prometem… e muito
SIC Notícias

É já esta noite que começa o longo ciclo de debates presidenciais na TV. São 28 frente-a-frente, todos em canal aberto (na SIC, TVI e RTP), com os oitos principais candidatos já posicionados: Gouveia e Melo, André Ventura, Marques Mendes, Cotrim Figueiredo, António José Seguro, António Filipe, Catarina Martins e Jorge Pinto.

A maratona só termina a 22 dezembro, às portas da quadra festiva. Depois segue-se a campanha oficial, no arranque de janeiro, antes da ida a votos, no dia 18 de janeiro

Perante tanta fartura, o mais normal será pensar que tal maratona pode redundar num enorme cansaço dos eleitores. Acredito e espero que não. Com mais ou menos defeitos, este modelo permite mais esclarecimento, mais presença perante o grande público (nomeadamente de candidatos que habitualmente têm menos exposição), maior esclarecimento dos eleitores e, finalmente, a tomada de decisões mais conscientes por parte destes.

Este ciclo de debates pode ser muito importante nesta eleição. Primeiro, porque as coisas estão renhidas como provavelmente nunca estiveram antes em eleições para Belém, muito por não terem surgido, pela primeira vez em 40 anos, os chamados ‘candidatos naturais’, figuras maiores de cada polo político (não temos Passos, Costa ou Guterres na luta).

Além disso, há um evidente desgaste do sistema político e partidário, que leva a que candidatos fora do sistema ou mesmo antissistema tenham hoje força que não conseguiam noutros tempos.

No atual cenário, provavelmente 600 ou 700 mil votos, tal a dispersão, podem chegar para se conseguir ir a uma segunda volta. Cenário nunca antes visto.

Nas Presidenciais, ao contrário de outras eleições, estamos mesmo a escolher uma figura. Uma só figura. Mais do que nunca importa a personalidade, o caráter, a individualidade. Este é um cargo unipessoal. Aqui, a personalidade e capacidade de cada um são decisivas. Não estamos a decidir entre quem propõe subir ou descer mais ou menos os impostos. Trata-se de se perceber quem é o mais capaz: o mais experiente, o mais sério, o mais capaz de liderar, de levar outros atrás, de impor a sua vontade, de aproximar partes e fazer pontes.

Olhando para os duelos que aí vêm, não é difícil concluir que os holofotes estarão fortemente em cima de Gouveia e Melo. Tem liderado as intenções de voto desde o início do ano de forma consistente. Já foi considerado um vencedor antecipado, mas tem vindo a perder terreno e fôlego.

Como se vai apresentar? Qual a firmeza que demonstra? Vai ser muito atacado, seguramente, por todos. Perante isso, como vai reagir? Vai crispar-se? Cometer deslizes?

O Almirante combate, não esquecer, contra cinco políticos que são ou foram lideres partidários (Ventura, Cotrim, Catarina Mendes, Seguro) com fortíssima experiência em duelos e debates.

A chuva de críticas à falta de experiência e traquejo político de Gouveia e Melo vai ter aqui o verdadeiro teste do algodão. E tudo parece jogar contra ele. Mas o baixar de expectativas pode acabar por favorecer o Almirante. Basta que se aguente nos debates. Ninguém ficará surpreendido se Marques Mendes, Ventura ou Seguro estiverem bem nos frente-a-frente. Mas se Gouveia e Melo superar a prova, isso será fortemente sublinhado.

Hoje entramos verdadeiramente na reta final e na fase decisiva de uma longa batalha.

Já tivemos um longo período sobretudo dedicado a perceber-se os posicionamentos e quem eram os candidatos.

Tivemos e temos tido agora as tradicionais voltas em que os candidatos se dão a conhecer, contactam populações, fidelizam apoios e em que se vão marcando e tentando marcar a agenda.

Agora vamos para um mês em que a agenda são eles e o tema são os debates entre eles.

Os debates podem não decidir tudo. Mas vão ser o início da decisão desta eleições. O que daqui sair pode ser determinante para ficarmos a saber quem vai suceder a Marcelo como Presidente da República a partir de março.